A TCC e os transtornos de comportamento infantojuvenis

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) vem se mostrando eficaz para o tratamento dos transtornos de comportamento infantojuvenis, sejam internalizantes ou externalizantes.

Entre os padrões específicos de comportamento e condições psiquiátricas na infância e adolescência que se beneficiam dessa abordagem psicoterapêutica constam: birra ou intransigência, fobia social, ansiedade, depressão, transtornos alimentares, dificuldades de aprendizagem, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), transtorno de oposição desafiante (TOD) e transtorno do espectro autista (TEA).

A psicoterapia para crianças e adolescentes tem sido cada vez mais valorizada especialmente no âmbito dos diagnósticos precoces, visando tratamentos mais eficazes, e da prevenção de transtornos mentais na vida adulta.

Nesse contexto, a TCC busca entender como os aspectos cognitivos podem originar os transtornos emocionais e comportamentais nessas faixas etárias.

Cabe ao terapeuta que trabalha com a abordagem identificar quais são as dificuldades vivenciadas naquele momento pelo paciente, eventos anteriores importantes, qual a percepção que tem de si mesmo e do outro. Crenças, estratégias de recompensa e expectativas da família em direção ao indivíduo também têm relevância no tratamento.

No tratamento dos transtornos de comportamento infantojuvenis, a TCC utiliza sessões estruturadas, foca no presente e tem como objetivo a mudança cognitiva e comportamental. Nesse processo, a participação dos pais ou outros responsáveis consiste em uma grande ou até maior parte do tratamento.

Assim sendo, o foco das intervenções com esse público, além de centrar na ativação e no entendimento das emoções – as quais a garotada tem dificuldade de diferenciar dos pensamentos –, deve trabalhar em termos de pensamentos adaptativos e não adaptativos.

COMPREENSÃO

Cada vez mais, crianças e adolescentes chegam aos consultórios buscando auxílio na TCC para problemas emocionais e comportamentais que podem acarretar prejuízos para a sua qualidade de vida e o desenvolvimento subsequente.

Nesse sentido, é fundamental que os terapeutas que trabalham com essa abordagem procurem obter uma compreensão global do funcionamento desse público nos seus diversos contextos.

Também é importante que consigam identificar os aspectos ou sintomas que dificultam sua adaptação na rotina diária. Assim como o papel que os aspectos cognitivos exercem na origem desses problemas e transtornos.

O uso das técnicas da terapia cognitivo-comportamental com crianças e adolescentes apresenta resultados efetivos nos transtornos de comportamento.

Para esses pacientes, que podem ter maiores dificuldades em prestar atenção, identificar e monitorar suas emoções e seus pensamentos, tais intervenções reduzem a intensidade e a frequência dos comportamentos disfuncionais e aumentam os almejados.

Assim como em outras abordagens teóricas, a TCC na clínica infantil e adolescente deve ser fomentada e estimulada no sentido preventivo e de aumentar e valorizar a atenção ao sofrimento psíquico nessas faixas etárias. O objetivo é garantir um desenvolvimento saudável ao longo do ciclo vital.

COLABORAÇÃO

Além de trabalhar com os pacientes de forma colaborativa na busca de soluções, é essencial o uso de diversificadas estratégias e técnicas da TCC para auxiliá-los a desenvolverem suas habilidades cognitivas.

Tais técnicas precisam ser escolhidas de acordo com os objetivos que o profissional pretende alcançar no tratamento. E devem ser adaptadas à faixa etária e às habilidades cognitivas de cada paciente.

PARTICIPAÇÃO DOS PAIS

Com crianças de zero a seis anos, de modo geral, o trabalho com pais ou outros responsáveis é indispensável no tratamento de transtornos de comportamento, muitas vezes constituindo a maior parte do tratamento.

Já com crianças mais velhas e adolescentes, esse trabalho é considerado desejável, sendo um fator de fortalecimento e sucesso do tratamento.

Ao participarem, os cuidadores podem desempenhar diferentes papéis. Um deles é o de facilitadores. Nesse caso, a intervenção é predominantemente focada no paciente e os adultos são envolvidos apenas para tomarem consciência das intervenções.

Outro papel é mais ativo, com a finalidade de entender a intervenção, acompanhar e fiscalizar o uso de estratégias clínicas e auxiliar na realização do atendimento. Pais ou outros responsáveis podem, ainda, ter o papel de pacientes na TCC, quando o foco do tratamento é direto no funcionamento cognitivo e comportamental deles, para ajudá-los a reavaliarem suas crenças sobre os filhos e a mudar seus próprios padrões comportamentais.

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