Autocompaixão como hábito de vida

Autocompaixão é uma forma de perceber o próprio sofrimento e de fornecer a si mesmo elementos como felicidade, otimismo e bondade. Essa teoria, desenvolvida pela psicóloga e professora norte-americana Kristin Neff, engloba três componentes básicos: ser consciente com atenção plena, ser bondoso consigo e ser consciente da própria humanidade.

A ciência sugere que o autocriticismo fecha os centros de aprendizado do cérebro, roubando os recursos necessários para aprender e crescer. O autojulgamento e a vergonha exagerados forçam as pessoas a repetirem ciclos viciosos em vez de ajudarem a formar novos comportamentos saudáveis. Além disso, minam a crença do indivíduo em si.

Nesse contexto, a alternativa é a autocompaixão como hábito de vida, o que significa gentileza e cuidado com o próprio sofrimento. Pesquisas sugerem que uma atitude de bondade consigo mesmas fortalece a capacidade das pessoas de aprenderem com seus erros, o que pode expandir suas perspectivas e torná-las mais criativas e engenhosas.

Indivíduos que são mais gentis com si próprios estão melhor equipados para progredir em direção a objetivos relacionados à saúde, por exemplo, como perder peso, fazer exercícios físicos, parar de fumar ou se recuperar de abuso de substâncias.

SISTEMA DE CUIDADO

Quando as pessoas são autocompassivas e não se envergonham, são capazes de enfrentar suas adversidades de frente com todos os recursos que têm disponíveis.

A autocompaixão também está associada à liberação de ocitocina, conhecida como o hormônio do amor (que promove conexão e segurança), o que reduz o sofrimento e aumenta os sentimentos de cuidado e apoio.

Como propõe o psicólogo e pesquisador britânico Paul Gilbert, criador da terapia focada na compaixão (TFC), quando os indivíduos praticam autocompaixão, estão desativando o sistema de defesa contra ameaças e ativando o sistema de cuidado em seus corpos.

Esse efeito calmante pode ajudar em momentos difíceis que exigem mudanças na vida, servindo como uma poderosa fonte de força e resiliência.

PASSOS NECESSÁRIOS

Adotar a autocompaixão como hábito de vida, no entanto, requer prática. Conforme Kristin Neff, o primeiro passo é a atenção plena, ou seja, aprender a prestar atenção às próprias experiências, momento a momento, sem julgá-las.

Afinal não é possível ser gentil consigo mesmo a menos que se reconheça que se está sofrendo. Em tempos difíceis, a atenção plena ajuda o indivíduo a fazer uma pausa, respirar e ver claramente a sua dor.

O segundo passo é a bondade, pois a autocompaixão acrescenta o toque suave de cuidado quando as pessoas estão sofrendo.

E o terceiro passo que deve ser dado pelos indivíduos é reconhecerem sua humanidade comum, o que os lembra que não estão sozinhos em sua dor.

FERRAMENTA

Autocompaixão – 100 cards’, de autoria das psicólogas Luana Ribeiro e Maria Eduarda de Freitas, é uma ferramenta que pode ser utilizada para o desenvolvimento da autocompaixão.

A publicação da editora RIC Jogos tem como objetivo treinar uma mente autocompassiva que gere satisfação com a vida, promova sentimentos de conexão social, estimule a iniciativa pessoal e desenvolva o afeto positivo.

O material tem a pretensão de seguir a psicoeducação. O profissional da saúde mental, ao avaliar a necessidade de trabalhar a autocompaixão, pode fazer uso do recurso para possibilitar que o paciente tenha uma nova perspectiva de praticar a gentileza consigo e, assim, enfraquecer os sentimentos negativos e os pensamentos autocríticos.

Os cards podem ser utilizados de forma livre ou estruturada, dependendo da condução do terapeuta. O paciente, ao praticar o exercício da autocompaixão fora do consultório, deve fazer o registro do antes e depois dos seus pensamentos.

Conheça este e outros RICard’s no site da editora RIC Jogos: www.ricjogos.com.br.

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