Como estimular o reconhecimento das emoções na infância?

O reconhecimento das emoções na infância é fundamental para o pleno desenvolvimento da criança. Percebê-las, identificá-las e compreendê-las devidamente tornam possível lidar com cada uma delas e contribuem para o equilíbrio emocional do indivíduo e de seus relacionamentos interpessoais ao longo da vida.

As emoções podem ser divididas em primárias e secundárias. As primárias, também chamadas de básicas ou universais, estão presentes desde o nascimento e contribuem para o desenvolvimento psíquico e a formação motora das crianças.

Podem ser entendidas como distintas reações químicas e neurais que ajudam a preservar a vida. De modo geral, há um consenso de que as emoções primárias são a alegria, a tristeza, o medo, a raiva e o nojo. Para alguns autores, o amor também é uma delas.

Diferentemente das emoções primárias, as emoções secundárias – também chamadas de sociais ou adquiridas – não nascem com as pessoas. Elas são produzidas como resultado do crescimento do indivíduo, da interação com os demais e da combinação das emoções primárias.

Impostas por heranças familiares e por convenções sociais, religiosas, culturais e econômicas, as emoções secundárias são, portanto, aprendidas e implicam uma avaliação cognitiva das situações, não desempenhando uma função biológica adaptativa.

Além disso, não são tão facilmente identificáveis quanto as primárias. Isso porque nem sempre são expressas por meio de um sorriso ou com o arquear de sobrancelhas, como é o caso da alegria ou da raiva, podendo ser mascaradas por fatores socioculturais.

Entre as emoções secundárias, estão culpa, constrangimento, desprezo, complacência, entusiasmo, orgulho, prazer, satisfação e vergonha.

Incentivo

Incentivar as crianças a falarem e a lidarem com as emoções na infância é tarefa que cabe aos adultos e que deve ser colocada em prática o quanto antes para a formação de indivíduos equilibrados emocionalmente.

Crianças que conseguem dizer “eu estou bravo com você” ou “isso está me magoando” têm mais chances de resolverem seus conflitos de forma pacífica em vez de terem um ataque de raiva ou partirem para a agressão.

O primeiro passo que deve ser dado pelos pais ou outros responsáveis, assim como educadores e terapeutas, é ensinar os pequenos a nomearem as emoções. É importante que os mais novos aprendam palavras como feliz, triste e medo. Os mais velhos podem aprender palavras mais complexas, como frustrado, desapontado e nervoso.

Importante destacar, ainda, que não existe emoção certa ou errada; quando canalizadas de forma positiva, elas promovem a ação. Portanto, quando as crianças identificarem as suas emoções, independentemente se a atitude foi positiva ou não, deve-se elogiar o fato do reconhecimento e conversar com ela sobre o que poderia ter sido diferente, se houve ou não consequências.

Recursos lúdicos

Nem todas as crianças têm facilidade em reconhecer, nomear e, portanto, lidar com as emoções de forma efetiva. O livro ‘Praça das Emoções – Pôster de colorir & atividades’ possibilita que, de forma lúdica, a garotada identifique as emoções através das expressões dos personagens.

O cenário é de um ambiente conhecido pelos pequenos, o que auxilia no reconhecimento dessas expressões de forma natural e cotidiana. Dessa forma, a conversa sobre as emoções ocorre à medida que percorrem as páginas, tornando a psicoeducação das emoções mais divertida e adequada para a linguagem infantil.

A obra, voltada a crianças a partir dos sete anos de idade, é de autoria de Ricardo Gusmão, conta com ilustrações de Marcos Malacarne e foi publicado pela editora RIC Jogos.

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