Compras compulsivas: quais as causas e como diagnosticar?

As compras compulsivas são uma das manifestações do transtorno do controle de impulsos. Muitas pessoas que têm não o encaram como uma patologia, no entanto o descontrole no consumo pode gerar inúmeras preocupações, incômodos e tirar o sono.

Também conhecido como oniomania, oneomania, onomania ou onemania, o comprar compulsivo tem como principal característica a falha, a incapacidade de resistir ao desejo incontrolável e impulsivo de comprar, implicando uma ação prejudicial a si mesmo e/ou a outros.

Nesse contexto, o excesso de preocupações e o desejo desenfreado de fazer compras e adquirir objetos acabam gerando importante sofrimento e dificuldades financeiras.

De diversas formas, as compras compulsivas se assemelham à dependência e ao abuso de substâncias ou ao jogo patológico, por exemplo, em que o descontrole dos impulsos desempenha um papel crucial.

Assim, as preocupações desadaptativas e a sensação de necessidade urgente de comprar geram tensões no indivíduo que são aliviadas por meio das compras.

Num primeiro momento, a prática traz alívio e satisfação, mas tem subsequente sentimento de culpa, autorrecriminação, lamento, consequências financeiras e seus desdobramentos.

Etiologia

Estima-se que as compras compulsivas atingem cerca de 5% da população brasileira. As causas podem estar relacionadas a diversos fatores.

Entre eles, privação emocional na infância, incapacidade de tolerar sentimentos negativos, necessidade de preencher um vazio interior, procura de emoções, procura de aprovação, perfeccionismo, ter personalidade impulsiva ou personalidade com necessidade de controle.

Também é comum que pessoas com oniomania tenham histórico familiar de algum impulso, como jogos, bebidas ou sexo.

Além disso, existe uma relação entre os jovens que atingiram a independência financeira há pouco tempo e que não conseguem ter controle dos impulsos na hora de comprar.

Motivações

Há diferentes motivações para as compras compulsivas. Na motivação hedonista ou do prazer supremo, a compra é percebida como um processo agradável de muito significado. Durante o ato de comprar, nenhum sentimento de culpa está presente e o impulso é frequentemente associado a um forte componente emocional.

Já a motivação impulsiva está associada a distúrbios de controle de impulso. Sob influência de estímulos externos, o ato de comprar é mais dependente do componente afetivo e não de julgamento. É geralmente determinado por fraca força de vontade e por compulsão.

Na motivação compensatória, os itens adquiridos servem como objetos para aumentar a autoestima. Geralmente se aplica a pessoas com baixa autoestima.

No caso da motivação compulsiva, fatores internos são importantes, incluindo pensamentos de desejo intenso e ansiedade. O principal objetivo da ocorrência de comportamento compulsivo é para a redução da tensão.

Na motivação emocional e social, a sensação de prazer na compra vem das características estéticas do produto adquirido ou do contato humano que ocorre durante as compras.

Por sua vez, a motivação relacionada à identidade está associada à externalização do próprio self por meio da aquisição de itens.

Diagnóstico

Sabe-se que a valorização da aquisição de bens na sociedade contemporânea, associada ao bombardeio de informações, propagandas, possibilidades de crédito e facilidade nas diversas formas de comprar, cria um terreno fértil e propício ao consumo.

Então como reconhecer quando esse consumo se transforma em um comportamento de comprar compulsivo?

Há critérios diagnósticos a serem seguidos na identificação do transtorno das compras compulsivas.

Um deles é a existência de uma preocupação mal-adaptativa com comprar ou impulsos mal-adaptativos de comprar indicados por preocupação frequente do indivíduo com comprar ou impulsos para comprar que são vivenciados como irresistíveis, intrusivos e/ou sem sentido; e/ou quando a pessoa compra frequentemente mais do que pode pagar, itens desnecessários, ou compra por períodos de tempo mais longos que o pretendido.

Também nos critérios diagnósticos constam preocupações, impulsos ou comportamentos de comprar que causam notável sofrimento, consomem muito tempo, interferem significativamente no funcionamento social ou ocupacional ou resultam em problemas financeiros.

Além disso, as compras compulsivas não ocorrem exclusivamente em períodos de mania ou hipomania.

Consequências

Este transtorno pode ter consequências prejudiciais em várias áreas. Muitas vezes, as pessoas são tão obcecadas com a ideia de comprar que não conseguem mais se concentrar no trabalho, nos estudos, no lazer e nos relacionamentos interpessoais.

As compras compulsivas geralmente são acompanhadas de problemas financeiros. Os indivíduos costumam usar dinheiro que realmente não têm, como abrir uma linha de crédito ou emprestar de terceiros.

Muitas vezes, esses problemas são descobertos apenas quando a dívida financeira já aumentou tanto que apenas uma mudança drástica no estilo de vida pode oferecer uma saída. Conflitos familiares, divórcio e até atividades ilegais podem ocorrer.

Além disso, os compradores compulsivos tendem a sofrer por culpa e a terem altos níveis de depressão e ansiedade, chegando inclusive a tentativas de suicídio.

Tratamento

O primeiro passo para o tratamento do transtorno de compras compulsivas – e talvez o mais difícil – é o indivíduo ter consciência de que há um problema e de que precisa de ajuda. O próximo passo é buscar a ajuda.

O tratamento inclui psicoterapia com ou sem farmacoterapia associada. A terapia em grupo também costuma ter bons resultados, pois as pessoas que compartilham da mesma situação conseguem expor suas inseguranças, ansiedades e sensações que as compras trazem, o que torna mais fácil o processo de aceitação do transtorno e a solução.

Ferramenta

‘Compras compulsivas – 70 cards para ajudar a enfrentar o impulso de comprar’, de autoria do psicólogo Fernando Elias José e publicada pela editora RIC Jogos, foi idealizada para ser uma ferramenta de psicoeducação.

Por meio de 70 frases e questionamentos, auxilia não só o trabalho do terapeuta, mas familiares, amigos e pessoas que enfrentam o comprar compulsivo como uma prática prejudicial em suas vidas, promovendo a conscientização como caminho para a mudança de comportamento.

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