De que forma as crianças descobrem as emoções?

O nível de compreensão das emoções e de seus componentes ao longo do desenvolvimento infantil está relacionado principalmente à idade e à habilidade verbal. À medida que crescem, as crianças tornam-se mais conscientes dos diferentes aspectos das suas experiências emocionais.

Estudos indicam que, aos 18 meses, os bebês já podem identificar emoções simples, inclusive quando os desejos dos outros são diferentes dos seus próprios. E a compreensão das expressões faciais desenvolve-se numa sequência: primeiro alegria e tristeza, seguidas de raiva e surpresa.

Mas essa capacidade aparentemente inata de perceber, comparar e imitar expressões faciais é rudimentar em comparação com a capacidade de identificar com precisão o significado de expressões emocionais.

A partir do primeiro ano de vida, as crianças são capazes de utilizar informação emocional para fazer escolhas. No entanto elas estão limitadas a decidirem, por exemplo, a evitar ou não certos estímulos.

Linguagem

O desenvolvimento da linguagem no segundo e terceiro anos de vida muda a natureza do contexto de socialização emocional. Aos três anos de idade, aproximadamente 93% das crianças usam regularmente os rótulos de emoções primárias, como alegre, triste, raiva e medo.

Emoções secundárias, como a vergonha e o orgulho, só se desenvolvem depois dos dois ou três anos e dependem da internalização dos padrões parentais de comportamento. E mesmo as crianças um pouco mais velhas frequentemente não possuem a sofisticação cognitiva necessária para reconhecerem tais emoções e o que as provoca.

Entre os quatro e os seis anos de idade, ocorre uma série de mudanças cognitivas e comportamentais relacionadas com a compreensão emocional. Nessa fase, as crianças também começam a frequentar a pré-escola, o que leva a modificações nas formas de interação e socialização.

Fases

Considerando o desenvolvimento da compreensão emocional como uma faceta do desenvolvimento cognitivo e social mais amplo, os vários aspectos do desenvolvimento da compreensão das emoções a partir dos três anos podem ser agrupados em diferentes fases: externa, mental e reflexiva.

A primeira fase, por volta dos três aos seis anos de idade, inclui a compreensão de três importantes aspectos externos das emoções: as suas causas situacionais, a sua expressão externa e os eventos ou objetos que servem como avisos e lembretes externos que reativam a emoção.

Envolve, portanto, a identificação de expressões emocionais, entendendo que fatores externos situacionais podem causar emoções e percebendo que a lembrança de uma situação passada pode causar uma reação emocional.

Já a segunda fase, por volta dos sete anos, implica o domínio da natureza mental das emoções: a conexão com desejos e crenças e a distinção entre a emoção expressa e sentida.

Inclui a aprendizagem de emoções que resultam de crenças e desejos individuais e da percepção de que existem diferenças entre as emoções reais e aparentes.

Por sua vez, a terceira fase, em torno dos nove aos 11 anos, é caracterizada pela compreensão das emoções múltiplas ou mistas, das emoções morais, e de reflexão sobre uma determinada situação a partir de perspectivas diferentes. Também é quando ocorre a regulação cognitiva da emoção.

Recursos lúdicos

Nem todas as crianças têm facilidade em reconhecer, nomear e, portanto, lidar com as emoções de forma efetiva. O livro ‘Praça das Emoções – Pôster de colorir & atividades’ possibilita que, de forma lúdica, a garotada identifique as emoções através das expressões dos personagens.

O cenário é de um ambiente conhecido pelos pequenos, o que auxilia no reconhecimento dessas expressões de forma natural e cotidiana. Dessa forma, a conversa sobre as emoções ocorre à medida que percorrem as páginas, tornando a psicoeducação das emoções mais divertida e adequada para a linguagem infantil.

A obra, voltada a crianças a partir dos sete anos de idade, é de autoria de Ricardo Gusmão, conta com ilustrações de Marcos Malacarne e foi publicada pela editora RIC Jogos.

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