Entenda a influência das emoções no comportamento da criança

Diferentemente das emoções primárias, as emoções secundárias – também chamadas de sociais ou adquiridas – não nascem com as pessoas. Segundo o psicólogo norte-americano Paul Ekman, elas são produzidas como resultado do crescimento do indivíduo, da interação com os demais e da combinação das emoções primárias.

Impostas por heranças familiares e por convenções sociais, religiosas, culturais e econômicas, as emoções secundárias são, portanto, aprendidas e implicam uma avaliação cognitiva das situações, não desempenhando uma função biológica adaptativa.

Além disso, as emoções secundárias não são tão facilmente identificáveis quanto as primárias. Isso porque nem sempre são expressas por meio de um sorriso ou com o arquear de sobrancelhas, como é o caso da alegria ou da raiva, podendo ser mascaradas por fatores socioculturais.

Ekman classificou as seguintes emoções secundárias: culpa, constrangimento, desprezo, complacência, entusiasmo, orgulho, prazer, satisfação e vergonha.

PROLONGAMENTOS MENTAIS

Uma análise feita pela psicóloga venezuelana Graciela Baugher defende que as emoções secundárias expressam um problema da mente que deve ser eliminado para que o indivíduo não sofra as consequências.

Segundo ela, essas emoções agem como prolongamentos mentais das emoções primárias que, a longo prazo, podem adoecer a pessoa. Por exemplo, o medo protege em determinados momentos, mas prolongado no tempo causa ansiedade, fobias e pânico.

O mesmo ocorre com a tristeza, que permite à pessoa iniciar uma recuperação após uma situação traumática. Se for prolongada, no entanto, gera depressão e tendências autodestrutivas.

FASES

As emoções humanas passam por diversas fases ao longo da vida. Tudo começa na infância e vai se desenvolvendo conforme as crianças vão crescendo e projetando crenças em relação a si próprias, às pessoas que as cercam e ao mundo em que vivem.

Portanto aprender desde cedo a reconhecer as emoções facilita o desenvolvimento, o amadurecimento e o relacionamento interpessoal.

Quando a criança aprende a nomear e a reconhecer suas próprias emoções, sabe identificá-las também nos outros. E com empatia, viver em sociedade se torna mais fácil, pois ela ajuda a solucionar conflitos com maior facilidade até mesmo no jardim de infância.

Logo, essa criança que aprende a reconhecer, expressar e regular suas emoções tem maiores chances de passar pela adolescência e chegar à fase adulta com melhor saúde mental, uma vida social mais satisfatória e com seus conflitos melhor elaborados.

PASSOS

Por outro lado, estimular a criança a não expressar suas emoções contribui para ela aprender a guardá-las. Reprimi-las pode causar fragilidade emocional e mental, baixa autoestima, falta de empatia e autenticidade, além de problemas comportamentais.

A longo prazo, esse silêncio pode gerar sérios problemas ao desenvolvimento psicológico e social do indivíduo.

Para evitar que isso aconteça, o primeiro passo é ajudar o pequeno a identificar o que está sentindo. Esse processo precisa ser refinado ao longo do tempo, pois ele dificilmente saberá distinguir entre vergonha, culpa ou orgulho. Por isso, cabe aos adultos apontarem os nomes corretos para que se familiarize e saiba reconhecer a forma como se manifestam.

Uma vez que a criança consegue dar um nome à emoção, o próximo passo é ajudá-la a encontrar ferramentas para manifestar essa emoção de forma saudável. Dos esportes às artes, há várias possibilidades para canalizar essa energia a outras atividades. Ciente da emoção e tendo recursos para manifestá-la de forma saudável, a criança deixará de reagir por impulso e assumirá o controle de seu comportamento. Isso fará com que se torne mais autoconfiante e lide com todas as situações que surgirem na sua vida de forma mais tranquila.

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