Estilos parentais e suas consequências para o desenvolvimento infantil

Os estilos parentais, ou seja, as formas como pais ou outros responsáveis educam seus filhos, podem determinar a maneira como as crianças se comportam e influenciar a formação de sua personalidade e o estabelecimento de futuros padrões relacionais enquanto adultos.

Na década de 1960, a psicóloga clínica norte-americana Diana Baumrind criou um modelo teórico, hoje denominado Estilos Parentais, que foi um marco nos estudos dessa temática.

Ela propôs a existência dos estilos parentais participativo (centrado na relação e socialização do filho), autoritário (centrado nos cuidadores) e permissivo (centrado no filho). Mais tarde, os psicólogos estadunidenses John Martin e Eleanor Maccoby acrescentaram o estilo negligente (cuidadores ausentes).

Estudos demonstram que, de modo geral, os estilos parentais se fazem presentes nas sociedades nas seguintes proporções: 35% cuidadores participativos, 35% negligentes, 15% autoritários e 15% permissivos.

PARTICIPATIVO

Adultos que se enquadram no estilo parental participativo conseguem adequar sua atitude à especificidade da criança (idade/maturidade e motivações). Sendo assim, proporcionam incentivo e um raciocínio minucioso acerca das regras estabelecidas e de outros métodos de disciplina preferidos.

Nesse caso, a supervisão é firme, há o estabelecimento de normas e limites num clima de calor afetivo e a comunicação é positiva e otimista.

Como consequência, seus filhos definem-se e são classificados como mais competentes em todos os níveis, ou seja, têm boa autoestima, habilidades sociais, otimismo, bom desempenho acadêmico e desenvolvimento de resiliência.

NEGLIGENTE

Cuidadores que se enquadram no estilo parental negligente são considerados ausentes. Deixam a criança fazer o que bem quiser, não têm tolerância e se aborrecem facilmente com o choro de um bebê e pedidos dos pequenos.

Quando seu filho chega ao limite ou quando sentem culpa por sua ausência, esses adultos podem controlar exageradamente ou punir. São indivíduos que mantêm apenas a satisfação de necessidades básicas (físicas, sociais, psicológicas e intelectuais).

Entre os estilos parentais, esse geralmente é o que tem mais efeitos negativos sobre as crianças, porque elas não recebem a atenção de que precisam para se desenvolverem como indivíduos completos.

Sendo assim, apresentam pior desempenho em todas as áreas. Podem ter um desenvolvimento atrasado, baixo desempenho acadêmico, poucas habilidades sociais, problemas afetivos e comportamentais (mentir, roubar, agredir, machucar e xingar). Tendem, ainda, a usar álcool e outras drogas e iniciar a vida sexual precocemente.

AUTORITÁRIO

No estilo parental autoritário, há uma tentativa de controlar e modelar, de forma rígida, as atitudes da criança.

Esses pais ou outros responsáveis valorizam uma obediência absoluta, recorrendo a medidas punitivas (verbais ou físicas) para que o filho se comporte de acordo com a sua exigência. Nesse caso, são frequentes as críticas ou ameaças aos pequenos.

Crianças que vivem em ambientes familiares autoritários, em geral, parecem infelizes e distantes, são hostis, ansiosas e têm pouco controle sobre suas próprias emoções negativas.

Normalmente, têm desempenho moderado na escola, não apresentam problemas de comportamento, são quietas e passivas.

Se a coerção dos cuidadores for muito forte, podem mostrar hostilidade e agressividade contra figuras de autoridade. Apresentam, ainda, piores desempenhos em habilidades sociais, humor instável e são pouco amigáveis.

PERMISSIVO

No estilo parental permissivo, os adultos são centrados no filho. Dão muito apoio e atenção emocional, mas pouca estrutura positiva e direção.

São cuidadores que têm receio de rejeição e de não serem amados pelos filhos. Assim, permitem em demasia, sentem culpa pela ausência em função do trabalho ou são inconsistentes.

Crianças que vivem em ambientes permissivos são teimosas, provocadoras, rebeldes e incapazes de regular a maior parte de suas emoções.

Elas são mais propensas a se envolver em problemas de comportamento e têm pior desempenho na escola, mas podem ter boa autoestima, boas habilidades sociais e baixos níveis de depressão.

Há, no entanto, um alto risco de envolvimento com drogas no futuro, pois não aprendem que existem regras e limites no mundo. Acreditam que podem e devem experimentar tudo e testar todos.

JOGO

O ‘Jogo das atividades parentais’, de autoria das psicólogas Camila Stor de Aguiar e Nathália Della Santa Melo Dantas, foi desenvolvido a partir da prática clínica com crianças que vivenciavam conflitos no âmbito familiar e da prática jurídica em perícias psicológicas para varas de família.

Nasceu da necessidade de instrumentalizar a avaliação da dinâmica familiar e das habilidades parentais. Publicado pela editora RIC Jogos, esse jogo de cartas é recomendado para crianças verbais acima de quatro anos. Pode ser utilizado em psicoterapia infantil, terapia de família ou em contextos nos quais seja relevante a avaliação de habilidades parentais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.