Habilidades de tolerância ao mal-estar em casos de adicção

O desenvolvimento das habilidades de tolerância ao mal-estar baseado na terapia comportamental dialética (DBT) é fundamental em casos de adicção, pois essas capacidades ajudam o paciente a lidar com as crises de uma maneira mais eficaz em vez de recorrer a comportamentos prejudiciais.

A DBT é uma terapia cognitivo-comportamental que foi desenvolvida originalmente para indivíduos cronicamente suicidas, diagnosticados com transtorno da personalidade borderline (TPB). Cada vez mais, no entanto, se mostra eficaz em uma ampla gama de distúrbios mentais.

Além disso, um número crescente de estudos sugere que o treinamento das habilidades de tolerância ao mal-estar é uma intervenção promissora para diversos casos, incluindo os pacientes com transtornos aditivos.

A terapia comportamental dialética baseia-se em uma teoria biossocial e dialética que realça o papel das dificuldades na regulação emocional – tanto na falta de controle quanto no excesso de controle – e do comportamento.

Por sua vez, a desregulação emocional tem sido associada a uma variedade de problemas de saúde mental decorrentes de padrões de instabilidade emocional, no controle dos impulsos, nos relacionamentos interpessoais e na autoimagem.

A meta geral do treinamento de habilidades da DBT, portanto, é ajudar os indivíduos a modificarem padrões comportamentais, emocionais, interpessoais e de pensamento associados com os problemas na vida.

CAPACITAÇÃO

Em um treino de habilidades de tolerância ao mal-estar em casos de adicção, são aprendidas técnicas que envolvam alterar a temperatura do corpo, fazer exercícios intensos, distrair-se do que causa perturbação e melhorar o momento em que o paciente se encontra.

Essas capacidades são ensinadas no grupo de treino de habilidades, mas, em geral, são os primeiros ensinamentos do terapeuta individual para auxiliar o paciente a sobreviver às crises no início de um tratamento. Têm como objetivo inicial capacitar o indivíduo para o enfrentamento concreto de situações de risco.

Em um segundo momento, o foco é orientado para aspectos cognitivos, como o gerenciamento de pensamentos sobre comportamentos dependentes, o desenvolvimento de habilidades de resolução de problemas relacionados ao comportamento aditivo e a elaboração de um plano de emergências para administração de qualquer situação de perigo de recaída, aumentando a segurança, a autoeficácia e o controle pessoal.

FERRAMENTAS

Atividades terapêuticas lúdicas também podem ser utilizadas como ferramentas no tratamento de casos de pacientes adictos, seja para psicoeducação, seja para o treino de habilidades de tolerância ao mal-estar.

O jogo de tabuleiro ‘Detox game – Caminhando nas trilhas da abstinência’, criado pelos psicólogos Dan Roger Pozza e Renata Brasil Araujo, é um recurso para psicoeducar sobre os principais conceitos trabalhados na dependência química, como fissura, lapso, situações de risco, estratégias de enfrentamento, mudança de hábitos, atitudes e abstinência.

A partir da interação de cada jogador com as situações trabalhadas e com as trocas com os demais participantes, a psicoeducação é complementada ao explorar as reações, os comportamentos-problema, as dificuldades e as fragilidades expostas durante a partida.

Composto por 56 cards com perguntas, o jogo ‘Maconha sem viagem’, de autoria das psicólogas Renata Brasil Araujo e Sabrina Presman e da psiquiatra Alessandra Diehl, tem como objetivo fornecer informações científicas a respeito da maconha para adultos, adolescentes e familiares de usuários dessa substância.

Pode ser jogado individualmente ou em grupo, nas famílias, com ou sem a presença de um terapeuta. Tem uma linguagem simples e informa, de modo descontraído, sobre as características da maconha, seus efeitos, benefícios e prejuízos. Ambas publicações estão disponíveis no site www.ricjogos.com.br.

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