Terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração

Terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração, também chamadas de terceira onda ou terapias contextuais, são importantes na psicoterapia moderna. Indicadas para o tratamento de uma série de transtornos mentais, expandem os alvos da redução de sintomas para o desenvolvimento de habilidades destinadas a melhorar a qualidade e quantidade de atividades em que o paciente encontra valor.

Para ajudar o indivíduo a construir uma vida nova e levá-lo à direção dos seus valores pessoais, tais abordagens têm enfoque em um contexto – qualquer situação que esteja acontecendo no mundo externo ou interno da pessoa – para tentar entender um comportamento.

Os terapeutas que trabalham com as terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração visam ajudar seus pacientes a construírem uma vida menos focada nas suas próprias experiências. A ideia é desativar os pensamentos referentes ao passado e passar a ter no controle o que é importante agora.

Em resumo, o objetivo é resolver o problema do indivíduo, porém também ajudá-lo a perceber que é possível resolver não apenas o problema que ele apresentou, mas a vida como um todo. Assim, ele pode sair preparado para enfrentar as adversidades cotidianas.

ABORDAGENS

Entre as principais abordagens das terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração, estão a terapia comportamental dialética (DBT), a terapia de aceitação e compromisso (ACT) e a terapia do esquema (TE).

A DBT foi desenvolvida pela psicóloga norte-americana Marsha Linehan com o intuito de possibilitar a regulação emocional do paciente, assim como o autocontrole e a tolerância ao estresse. Estruturado conforme as habilidades emocionais e sociais do indivíduo, era adotada inicialmente para tratar o transtorno de personalidade borderline (TPB). Hoje abrange uma série de distúrbios mentais.

Também entre as terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração, a ACT tem como base mindfulness e aceitação. Foi desenvolvida pelo psicólogo norte-americano Steven Hayes com a intenção de integrar as terapias cognitiva e comportamental.

Uma das terapias contextuais mais representativas, a ACT visa estimular o paciente a aceitar situações e experiências negativas, entendendo que, ao identificá-las, adquire a capacidade de afastá-las. Costuma ser adotada no tratamento de depressão e transtornos de ansiedade.

Por sua vez, a TE foi criada a partir da preocupação do psicólogo norte-americano Jeffrey Young com pacientes que tinham dificuldades interpessoais de longa duração relacionadas a transtornos de personalidade.

Tem como uma das bases a teoria do apego ou da vinculação do psicanalista britânico John Bowlby e ajuda o paciente a encontrar a raiz de suas patologias empregando técnicas de imagens, vivenciais e interpessoais, além de estratégias de reparentalização limitada, entre outras.

ESTRATÉGIAS

As principais estratégias psicoterápicas das terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração adotadas atualmente passaram a ser desenvolvidas a partir dos anos 1990.

Apresentando abordagens mais integrativas e conceituais, os modelos de intervenção consideram como a atividade cognitiva afeta a emoção e o comportamento, defendendo que ambos podem ser alterados a partir das estruturas cognitivas.

Uma das técnicas elaboradas para esse fim, a psicoeducação valoriza o conhecimento sobre determinada doença para potencialização e eficácia do tratamento. Desse modo, quanto mais o paciente entender sobre seu quadro clínico, tanto físico quanto mental, mais ele entenderá sua forma de reagir, aprendendo também a solucionar problemas.

REESTRUTURAÇÃO

A reestruturação cognitiva é outra importante estratégia das terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração, visto que partem do pressuposto de que os pacientes podem mudar seus pensamentos e crenças e, a partir disso, manejar estados emocionais e alterar de forma positiva seus comportamentos.

Também inclusa no grupo das estratégias psicoterápicas, a entrevista motivacional visa o fortalecimento da motivação do paciente e seu comprometimento com a mudança. De forma individual e direcionada, a intervenção busca a autonomia da pessoa, que tem a liberdade de aceitar ou não os conselhos do terapeuta.

Já na estratégia de automonitoramento para resolução de problemas, a observação e o registro sistemático são essenciais. É comum que o indivíduo mantenha um diário detalhando a ocorrência de comportamentos e eventos ambientais associados. A partir desses dados, o profissional desenvolve análises funcionais, ajudando o paciente a relacionar seus comportamentos com os eventos ambientais.

No caso do treino de habilidades sociais, que também é umas das estratégias psicoterápicas das terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração, o terapeuta busca acessar o histórico de vida do paciente para entender suas dificuldades sociais. A partir disso, pode propor estratégias e intervenções com base na análise comportamental. São incluídos nesse treino temas como iniciar e manter uma conversação e estabelecer e manter amizades.

MINDFULNESS

A ideia de mindfulness, que tem como foco a atenção plena ao momento presente, sem julgamentos, é outra técnica muito utilizada nas terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração. Comumente adotada na redução do estresse, ela inclui a varredura mental do corpo e meditação em posição sentada, de forma que o indivíduo vivencie a ação sem ser absorvido por ela.

Por fim, a prevenção das recaídas costuma ser adotada no tratamento de usuários de substâncias psicoativas. Entre as estratégias psicoterápicas das terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração, ela tem como foco principal que o paciente mantenha a mudança de hábitos, antecipando situações de risco e alto risco. Assim como na entrevista motivacional, essa técnica exige uma relação profunda de confiança entre o profissional e o paciente.

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