Terapias contextuais: quando é preciso ir além do clássico

As terapias contextuais, também chamadas de terceira geração ou terceira onda, reformulam e sintetizam gerações anteriores de terapias cognitivas-comportamentais e as levam adiante para questões e domínios previamente trabalhados por outras tradições. O objetivo é melhorar tanto a compreensão do ser humano como a dos resultados dos tratamentos.

Particularmente sensíveis ao contexto e às funções dos fenômenos psicológicos, não apenas à sua forma, tais abordagens tendem a enfatizar estratégias de mudanças contextuais e experimentais em acréscimo às mais diretas e didáticas.

Para isso, buscam a construção de um repertório de comportamentos amplo, flexível e efetivo em vez de uma abordagem específica para problemas definidos de maneira estreita.

E focam em aspectos como a forma como a linguagem afeta a experiência do paciente, a relação terapêutica, o conceito de mindfulness ou estar no presente, o self como contexto e a aceitação.

Dessa forma, as terapias contextuais vêm para tornar as terapias cognitivo-comportamentais ainda mais abrangentes, aprofundadas e preocupadas não apenas em mostrarem resultados, mas também em estabelecer uma relação com as dificuldades humanas num sentido mais amplo.

EVOLUÇÃO

As três ondas em terapias cognitivo-comportamentais compreendem as principais abordagens terapêuticas desenvolvidas ao longo das décadas envolvendo a junção de estudos do comportamento das pessoas e da maneira como elas percebem, aprendem, recordam e pensam.

A primeira onda, que teve início na década de 1950, ficou marcada pelo começo da aplicação clínica da psicologia comportamental. Na época, a principal teoria considerada era do fisiologista russo Ivan Pavlov, que tratava do papel do condicionamento.

Entendendo a psicologia como uma ciência objetiva e mensurável, Pavlov acreditava que era impossível analisar o cérebro, que ele classificou como uma “caixa negra” que não podia ser aberta. Desse modo, concluiu que apenas o que fosse colocado nele poderia ser avaliado.

Focando o comportamento visível e não o pensamento, a primeira das três ondas entendia que as mudanças de comportamentos das pessoas se davam por meio do condicionamento clássico e da aprendizagem operante. Para chegar a esse entendimento, Pavlov fez experimentos em situações controladas em laboratório.

Em um deles, estudou a produção de saliva em cães que eram expostos a diversos estímulos palatais e que, após certo período de tempo, passaram a ter a mesma reação com estímulos diferentes, como o barulho dos passos de seu assistente.

TREC

Já na segunda onda das terapias cognitivo-comportamentais, que marcou os anos 1960, o psicanalista norte-americano Albert Ellis ganhou destaque.

Criando o que posteriormente seria conhecida como terapia racional emotiva comportamental (TREC), ele acreditava que o comportamento dos indivíduos era influenciado por tendências inatas e adquiridas e que as crenças básicas precisavam ser monitoradas e desafiadas de forma constante para a manutenção da saúde emocional.

Privilegiando a razão sobre a experiência, a TREC ficou conhecida como uma das primeiras terapias a utilizar técnicas que vão além do modelo comportamental, considerando os componentes fundamentais do modelo cognitivo.

O psiquiatra norte-americano Aaron Beck também marcou a segunda das três ondas em terapias cognitivo-comportamentais, formulando um modelo que une técnicas cognitivas e comportamentais.

Intitulada terapia cognitivo-comportamental (TCC), a abordagem de Beck defende que as crenças e os pensamentos automáticos errôneos são responsáveis por sintomas emocionais, fisiológicos e comportamentos disfuncionais, que podem ser eliminados ou reduzidos por meio da intervenção terapêutica.

SENSIBILIDADE

Por sua vez, as terapias contextuais, a terceira onda, surgiram a partir dos anos 1990 com uma abordagem empírica e foco principal na sensibilidade ao contexto e às funções dos fenômenos psicológicos. Enfatizando táticas de mudanças contextuais e experimentais, ela engloba diversos modelos de intervenção.

Entre as principais abordagens, constam a terapia comportamental dialética (DBT), a terapia de aceitação e compromisso (ACT), a terapia do esquema (TE) e a psicoterapia analítica funcional (FAP).

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