O que é perfeccionismo e quando ele vira um problema?

O perfeccionismo é um comportamento caracterizado pelo desejo de executar todas as tarefas de modo perfeito, não sendo admitidos erros ou resultados pouco satisfatórios para o alto padrão de cobrança do perfeccionista sobre si e sobre os outros.

Cometer erros faz parte da existência humana e lidar bem com eles dá liberdade para tomar decisões, além de oferecer aprendizado. Porém, algumas pessoas veem erros como fracassos totais, exigindo de si e dos demais perfeição total.

O indivíduo perfeccionista tende a ter uma atenção seletiva aos erros, ou seja, a focar apenas no que está errado em vez de nos acertos, fazendo com que corrija constantemente pequenos detalhes que possa identificar como mal feitos.

Nocividade

O querer fazer bem feito se torna um perfeccionismo mal-adaptativo quando: há presença de exigências irrealistas; existe preocupação excessiva quanto à avaliação negativa de outras pessoas; o indivíduo não se satisfaz com seus feitos.

Compreende-se que esse traço de personalidade, quando nocivo, mantém e intensifica os vários transtornos psicológicos pelos quais perpassa.

O perfeccionismo prejudicial gera angústia, frustração e um estado ansioso e depressivo que, muitas vezes, acarreta procrastinação. Também é um fator para o desenvolvimento do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtornos alimentares e até mesmo pensamentos suicidas.

Dimensões

O perfeccionismo patológico pode ocorrer em três dimensões. No auto-orientado (pessoal), o sujeito é impulsionado principalmente por pressões internas e mede seu valor próprio inteiramente em termos de produtividade e realização.

Já o perfeccionismo social é associado ao medo do julgamento dos outros. A pessoa acredita que precisa alcançar expectativas irrealisticamente altas para que tenha aprovação dos outros.

Existe, ainda, a dimensão do perfeccionismo orientado para os outros, no qual o próprio indivíduo estabelece padrões de como os outros deveriam se comportar.

Características

As pessoas perfeccionistas normalmente atentam bem aos detalhes, são extremamente organizadas e focadas, buscando executar as tarefas com a mínima possibilidade de erro.

Tais características são consideradas normais e até saudáveis, pois interferem positivamente na vida pessoal e profissional. No entanto, quando são acompanhadas de alto padrão de cobrança e autocrítica exacerbada, tornam-se nocivas.

Quando o perfeccionismo é nocivo, as pessoas apresentam responsabilidade e determinação em excesso; alto nível de exigência consigo e com os outros; não admitem erros e falhas, possuindo dificuldades para aceitar que erraram e para aprender com isso, além de sentirem culpa e vergonha.

Indivíduos perfeccionistas ao extremo também sentem dificuldade em trabalhar em grupo, já que não conseguem acreditar na capacidade do outro; sempre acham que falta alguma coisa, nunca ficando satisfeitos com o resultado obtido.

Além disso, não aceitam críticas muito bem, mas costumam criticar os outros para demonstrar que são melhores; veem os erros como fracasso; e duvidam da qualidade do trabalho realizado.

Tratamento

Como visto, todas as dimensões do perfeccionismo mal-adaptativo trazem consequências emocionais e comportamentais significativamente prejudiciais para a funcionalidade do indivíduo.

Portanto, trabalhar as questões cruciais desse transtorno psicológico pode fazer com que a pessoa diminua o nível do seu sofrimento emocional diário e também auxiliar na redução dos sintomas que contribuem para manter o distúrbio.

O tratamento para o perfeccionismo nocivo deve ser orientado por um psicólogo. Nos casos mais graves, pode ser necessário o uso de medicamentos, que devem ser prescritos pelo psiquiatra, como ansiolíticos ou antidepressivos, para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Cards

Tendo em vista os prejuízos que o perfeccionismo, a autocrítica e os altos padrões de exigência trazem à vida da pessoa, os cards ‘Convivendo com o perfeccionismo: 100 afirmações para desafiar a autocrítica e a autoexigência’ auxiliam o profissional da saúde mental a ser um guia do cliente em direção à aceitação, à autocompaixão e à flexibilização de regras rígidas.

De autoria das psicólogas Rebeca Montenegro e Ana Karina Marinho Maciel e publicado pela editora RIC Jogos, o material psicoterápico fundamenta-se na terapia cognitivo-comportamental (TCC), envolvendo elementos da primeira, segunda e terceira geração da abordagem.

Tem como objetivos investigar, identificar e modificar os pensamentos, as emoções e os comportamentos presentes nos indivíduos com traços de perfeccionismo nocivo. Pode ser utilizado com qualquer faixa etária a partir dos 12 anos de idade.

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