O que é TEA e como pode ser trabalhado na psicoterapia?

O transtorno do espectro autista (TEA), popularmente chamado de autismo, é um transtorno do neurodesenvolvimento de alta complexidade e diversidade de manifestações clínicas – cognitivas, emocionais e neurocomportamentais.

Refere-se a uma série de condições caracterizadas por algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem e por comportamentos repetitivos.

Outra particularidade marcante do TEA é a hipersensibilidade auditiva. Muitas pessoas dentro do espectro autista sentem incômodo com sons que, às vezes, passam despercebidos pela maioria.

O diagnóstico do TEA pode ser complexo, pois os indivíduos não têm um quadro padrão de desenvolvimento e podem apresentar diferentes manifestações.

Terapia ABA

A terapia ABA (Applied Behavior Analysis ou Análise do Comportamento Aplicada) é uma das intervenções que têm se mostrado efetiva no tratamento do transtorno do espectro autista.

Consiste no ensino intensivo das habilidades necessárias para que o indivíduo se torne independente e tenha a melhor qualidade de vida possível.

Especialistas definem a aplicação da terapia ABA como “aprendizagem sem erro”. Ela trabalha, basicamente, no reforço dos comportamentos positivos.

Durante o tratamento, as habilidades geralmente são ensinadas de forma individualizada, via apresentação de uma instrução ou dica.

As oportunidades de aprendizagem são repetidas muitas vezes até que a pessoa dentro do espectro autista demonstre a habilidade sem erro em diversos ambientes e situações.

Habilidades

Entre as habilidades ensinadas na terapia ABA, estão os comportamentos que interferem no desenvolvimento e na integração do indivíduo.

Nos comportamentos sociais, são incluídos contato visual e comunicação funcional. Nos comportamentos acadêmicos, constam pré-requisitos para leitura, escrita e matemática.

Já nas atividades do cotidiano, está a higiene pessoal. Também é trabalhada a redução de comportamentos como agressões, estereotipias, autolesões, agressões verbais e fugas.

Um dos importantes benefícios da terapia ABA é a diminuição da frustração e do desânimo do paciente. Ao garantir que ele responda corretamente, especialmente durante a aquisição de uma nova habilidade, o aprendizado sem erros ajuda a aumentar a motivação e o prazer de aprender.

TCC

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) também se mostra efetiva no tratamento do transtorno do espectro autista. Concentra-se na conexão entre pensamentos, emoções, sentimentos e comportamentos.

Durante as sessões, o terapeuta conhece melhor a pessoa dentro do espectro autista e sua família e aprende a identificar os pensamentos e comportamentos que causam desconfortos e precisam ser trabalhados.

Além disso, passa a acompanhar a rotina do paciente e trabalha a autorregulação de suas emoções e os comportamentos adequados.

Há diversas técnicas usadas pelos psicólogos da TCC para melhorar as habilidades sociais das pessoas dentro do espectro autista.

PECS

Ainda na lista de terapias indicadas para tratamento do transtorno do espectro autista está o PECS (Picture Exchange Communication System ou Sistema de Comunicação por Troca de Imagens).

Trata-se de um método de comunicação alternativa para indivíduos que não conseguem falar, mas apontam para figuras como forma de conversação. O material utilizado são cartões com figuras que representam objetos e situações que a criança utiliza para expressar o que quer.

Posteriormente, o sistema passa a ensinar a discriminação de imagens e como as combinar para formar frases. Nas fases mais avançadas, os pacientes são ensinados a responderem perguntas e fazerem comentários.

Ferramentas

Algumas ferramentas auxiliam no tratamento psicoterapêutico do transtorno do espectro autista. Entre elas, a editora RIC Jogos disponibiliza o combo habilidades sociais.

Inclui o jogo ‘Desafios sociais’, que ajuda no ensaio dessas habilidades para o indivíduo se relacionar melhor com as outras pessoas, sabendo como expressar as necessidades e vontades sem magoar os outros. Assim, fica muito mais fácil fazer amigos e construir vínculos.

O combo também é composto pelos cards ‘Habilidades sociais: 100 questões para você pensar sobre as suas formas de se relacionar socialmente’. Incentiva a reflexão sobre pensamentos, emoções e comportamentos na sociedade.

Já o recurso ‘Mãozinha amiga – Como ajudar a criança a lidar com as dificuldades sociais (terapia cognitivo-comportamental)’ é uma estratégia para auxiliar a garotada a enfrentar suas dificuldades sociais.

É uma forma divertida de a criança lembrar passo a passo o que aprende em terapia, favorecendo o reconhecimento da dificuldade, a confiança em si, a prevenção das consequências e a resolução de problemas.

Por sua vez, a ferramenta ‘Qual é a emoção’ aproxima o paciente do mundo das emoções de forma lúdica e didática. Por meio da montagem e do reconhecimento das expressões faciais nos rostos de meninos e meninas, identifica a emoção e treina a empatia.

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