O que é terapia alimentar e qual sua importância para crianças?

A terapia alimentar usa comida como principal ferramenta no combate à seletividade alimentar. Trata-se de uma abordagem baseada na confiança e no relacionamento com as crianças. Visa ressignificar a alimentação e aproximar a garotada dos alimentos.

Engloba técnicas que geram habilidades com o alimento, oferecem estímulos sensoriais que trazem conforto para a criança ter interesse pela comida, aceitar novos alimentos e comer com prazer.

As dificuldades alimentares são eminentemente prevalentes na infância. Estudos demonstram que cerca de 30% das crianças apresentam problemas com a alimentação e estima-se que esse problema afeta 67% a 89% dos pequenos com transtorno do espectro autista (TEA).

A seletividade alimentar é comum na fase pré-escolar, principalmente entre dois e três anos, período em que a criança busca por autonomia e começa a escolher e selecionar os alimentos. Porém, quando a família relata haver um problema, é necessária a investigação.

Comer é um comportamento aprendido e bastante complexo, envolvendo fatores orgânicos, comportamentais de dinâmica familiar, habilidades motoras orais e sensoriais. Mas quando pais ou outros responsáveis e profissionais não conduzem da forma correta, o problema pode aumentar e permanecer até a vida adulta.

Sinais

Existem alguns sinais que indicam a necessidade da terapia alimentar. Alguns deles são quando a criança tem menos de 20 alimentos no seu repertório alimentar, tem baixo peso e exclui um grupo alimentar inteiro, como, por exemplo, todos os vegetais ou carnes.

Também é preciso ficar atento ao atraso do pequeno na evolução da consistência do alimento (só come liquidificado ou amassado) ou quando apresenta padrão mastigatório limitado.

Crianças com aversão ou recusa aos alimentos, comportamento alterado no momento da refeição, refeições prolongadas e falta de autonomia na hora de comer também indicam seletividade alimentar.

Outros sinais importantes que envolvem fatores comportamentais e ambientais incluem alimento que não pode tocar um no outro e criança com alteração de comportamento se o alimento não é oferecido como esperado.

A investigação da seletividade alimentar é extremamente criteriosa e transdisciplinar, envolvendo nutricionista, terapeuta ocupacional, médico, psicólogo, fonoaudiólogo, entre outros. Quanto mais cedo a família buscar ajuda, mais cedo ocorre a reversão do quadro de recusa alimentar.

Recurso terapêutico

Um importante recurso que pode ser utilizado na terapia alimentar é o ‘Papo alimentar: 100 cards para conversar sobre a alimentação’, de autoria da psicóloga Lívia Rodrigues e publicado pela editora RICard’s.

Para ser usada em contexto clínico com crianças a partir dos quatro anos de idade, a ferramenta possibilita ao terapeuta e às crianças que, de forma lúdica, conversem sobre alimentação.

E, assim, acessem as limitações e crenças dos pacientes sobre esse processo, de modo que as intervenções possam ter mais eficácia e, consequentemente, o tratamento terapêutico seja mais efetivo.

O terapeuta pode selecionar as cartas a serem respondidas de acordo com a demanda prioritária a ser investigada, de modo que o uso ocorra gradativamente e de forma aleatória, não precisando seguir uma ordem de perguntas.

Assim, quando a criança termina de responder às perguntas, o terapeuta tem um grande subsídio para um plano terapêutico individualizado.

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