Transtorno de Estresse Pós-Traumático: critérios diagnósticos

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático é um tipo de distúrbio de ansiedade que pode se desenvolver em pessoas que vivenciaram ou testemunharam eventos perturbadores. Tal condição engloba uma série de sintomas e sinais e causa sofrimento intenso e prejuízos em diferentes aspectos da vida, como trabalho e relacionamentos.

Os sintomas do TEPT podem ser subdivididos em categorias: intrusões, esquivas, alterações negativas da cognição e do humor e alterações da excitação e da reatividade. Geralmente, os pacientes têm memórias indesejadas frequentes que reproduzem o evento desencadeante. Pesadelos também são recorrentes.

Durante a vigília, são menos comuns estados dissociativos transitórios nos quais os eventos são revividos como se estivessem acontecendo (lembranças vívidas), às vezes fazendo os pacientes reagirem como se estivessem na situação original.

No entanto ruídos altos, como fogos de artifício, podem desencadear uma lembrança vívida de estar na situação traumática de um assalto ou de um combate, por exemplo, o que pode levar o indivíduo a procurar abrigo ou se jogar no chão para buscar proteção.

Além do transtorno psicológico, o Transtorno de Estresse Pós-Traumático pode ter consequências físicas graves. Elas vão desde problemas cardíacos a um aumento no nível de cortisol (o hormônio do estresse) circulando no sangue, o que pode fazer muito mal à saúde a longo prazo.

SINAIS

Entre os principais sinais e sintomas do TEPT, se destaca o isolamento social, em que a pessoa evita novas situações traumáticas, podendo desfazer amizades, deixar de sair de casa e de realizar suas atividades cotidianas.

A depressão também costuma aparecer, fazendo com que o indivíduo deixe de ter prazer naquilo que antes do trauma o fazia feliz, perca as esperanças, tema exageradamente o futuro, entre outros.

Pode haver, ainda, ataques de pânico, com coração acelerado, boca seca, transpiração, medo de morrer e hiperventilação, assim como insônia e estado de alerta constante (hipervigilância). Abusos de substâncias também são frequentes.

Além de ansiedade específica ao trauma, os pacientes podem sentir culpa por causa de suas ações durante o evento ou porque sobreviveram quando outros não.

DSM-5

O diagnóstico do Transtorno de Estresse Pós-Traumático é clínico e se baseia nos critérios do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) da APA (Associação Americana de Psiquiatria).

Para atender a esses critérios, os pacientes devem ter sido expostos direta ou indiretamente a um evento traumático e apresentar sintomas de cada uma das seguintes categorias durante um mês ou mais:

Sintomas de intrusão (um ou mais)

Ter memórias recorrentes, involuntárias, intrusivas e/ou perturbadoras; ter sonhos perturbadores recorrentes sobre o evento; agir ou sentir como se o evento estivesse acontecendo de novo, desde flashbacks até perda total de consciência do ambiente atual; sentir sofrimento psicológico ou fisiológico intenso ao lembrar o evento.

Sintomas de esquiva (um ou mais)

Evitar pensamentos, sentimentos ou memórias associados ao evento; evitar atividades, locais, conversas ou pessoas que desencadeiam memórias do evento.

Efeitos negativos sobre a cognição e o humor (dois ou mais)

Perda de memória para partes significativas do evento (amnésia dissociativa); convicções ou expectativas negativas persistentes e exageradas sobre si mesmo, os outros ou o mundo; pensamentos distorcidos persistentes sobre a causa ou as consequências do trauma que levam a culpar a si mesmo ou outros; estado emocional negativo persistente; diminuição acentuada do interesse ou participação em atividades significativas; sensação de distanciamento ou estranhamento em relação a outras pessoas; incapacidade persistente de experimentar emoções positivas.

Reatividade e excitação alteradas (dois ou mais)

Dificuldade para dormir; irritabilidade ou explosões exacerbadas; comportamento imprudente ou autodestrutivo; problemas de concentração; maior resposta de sobressalto; hipervigilância.

Além disso, as manifestações do Transtorno de Estresse Pós-Traumático devem causar sofrimento significativo ou prejudicar significativamente o funcionamento social ou ocupacional do indivíduo e não serem atribuíveis aos efeitos fisiológicos de outra doença ou de uma substância.

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