Psicologia Positiva: da base teórica à aplicação prática

A Psicologia Positiva é um movimento recente dentro da ciência psicológica que incentiva os profissionais da saúde mental a adotarem uma visão mais aberta e apreciativa dos potenciais, das motivações e das capacidades humanas. Trata-se de um campo focado na importância da busca da felicidade e não apenas na cura de patologias.

O movimento científico da Psicologia Positiva estuda pensamentos, sentimentos e comportamentos humanos evidenciando pontos fortes em vez de fraquezas. Está preocupado em construir as melhores coisas da vida, que promovem bem-estar e qualidade de vida, e não somente em consertar as piores.

Não significa ignorar o que não funciona, mas, sim, destacar e valorizar o que está funcionando bem. Sendo assim, trata-se de um estudo sobre o funcionamento positivo do cérebro. Seu valor, portanto, consiste em complementar e estender a Psicologia centrada no problema.

INÍCIO

Ao longo do século 20, a Psicologia encarregou-se dos problemas e das patologias, ocupando-se do que havia de errado com as pessoas e com o que não funcionava. Como resultado, hoje, o conhecimento para diagnosticar e tratar os mais diversos transtornos mentais é uma realidade.

Porém uma lacuna no processo foi percebida na década de 1990 pelo psicólogo estadunidense Martin Seligman, então presidente da Associação Americana de Psicologia (APA), considerado o pai da Psicologia Positiva. Ele é autor da frase: “Precisamos olhar para o que dá certo com as pessoas”.

Conforme Seligman, a felicidade pode ser cultivada desde que se saiba utilizar alguns traços e qualidades que a pessoa já tem, como bondade, humor, originalidade, generosidade e otimismo.

Um exemplo prático para entender a Psicologia Positiva está nas perguntas usualmente feitas aos pacientes quando chegam no consultório. Em vez de somente perguntar o que está errado, o terapeuta também vai perguntar ao indivíduo o que ele sabe fazer bem, o que está funcionando na sua vida e quais suas qualidades.

Acrescentar essas perguntas implica mudar o foco e a realidade das pessoas, porque perguntar somente o que vai mal e o que não funciona tende a fazer com que elas se acostumem a focar somente nos aspectos negativos de suas vidas. No entanto, quanto se investiga o que vai bem, elas direcionam seus olhares para um campo mais positivo.

PILARES

A Psicologia Positiva é sustentada por três pilares. O primeiro está voltado ao estudo das emoções positivas. Já o segundo se refere aos traços positivos, principalmente as forças e as virtudes. E o terceiro corresponde ao estudo das instituições positivas, como a democracia, a família e a liberdade.

Seligman também estabeleceu cinco fatores para o bem-estar. Eles foram revelados no seu livro ‘Florescer’, no qual descreve o que chama de Modelo PERMA: positive emotion (emoção positiva), engagement (engajamento), relationships (relacionamentos), meaning (significado) e accompplisment (realização).

Emoção positiva é quando as pessoas conseguem olhar para o passado com alegria, para o futuro com esperança e aproveitam o presente.

Engajamento é quando os indivíduos conseguem focar completamente em atividades que estão executando, ou seja, têm atenção plena no momento presente, entrando em estado de flow.

Quanto aos relacionamentos, é comprovado que o bem-estar aumenta ao passo que as pessoas constroem ligações saudáveis com familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho.

Significado, por sua vez, se refere ao que dá sentido à vida das pessoas, seja por meio de caridade, atuação política, prática religiosa ou apoio a causas sociais. Por fim, a realização corresponde ao sentimento de vitória em algum momento da vida.

Portanto, para poder ajudar as pessoas a prosperarem e viverem suas vidas da melhor maneira possível, a Psicologia Positiva se volta, principalmente, ao estudo de temas como força de caráter, otimismo, satisfação com a vida, felicidade, bem-estar, gratidão, compaixão, autocompaixão, autoestima, autoconfiança, esperança e elevação.

EXERCÍCIOS

Os princípios e exercícios da Psicologia Positiva podem ser aplicados em diversos contextos, incluindo terapia, sala de aula, local de trabalho e em casa.

Uma das técnicas que se mostram úteis é a amostragem de experiência, por meio da qual algum tipo de alarme deve ser disparado em diferentes momentos do dia para a pessoa fazer uma pausa para perceber e anotar o que estava pensando, sentindo e fazendo naqueles momentos. A ideia é ajudá-la a perceber quanto do seu dia é positivo.

O diário de gratidão é outro método utilizado na Psicologia Positiva para aumentar o bem-estar e a gratidão. Tal intervenção instiga o indivíduo a escrever três coisas pelas quais é grato a cada dia. A única condição é que elas precisam ser sempre diferentes.

Fazer uma visita, dar um telefonema ou escrever uma carta de gratidão também são exercícios que têm a mesma função.

Concentrar-se na construção de forças pessoais em vez de fraquezas é mais um importante método utilizado na Psicologia Positiva, sendo considerado um caminho mais eficaz em direção ao sucesso. Na prática, envolve identificar os pontos fortes do indivíduo e trabalhar no sentido de que haja mais oportunidades de usá-los.

Já a terapia de bem-estar é uma abordagem holística semelhante à Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), mas se concentra tanto em promover o positivo quanto em aliviar o negativo na vida do paciente.

Baseada no modelo da psicóloga norte-americana Carol Ryff, reconhece seis fatores de bem-estar: domínio do ambiente, crescimento pessoal, propósito na vida, autonomia, autoaceitação e relacionamentos positivos.

Por sua vez, a psicoterapia positiva é semelhante à terapia de bem-estar, mas geralmente envolve várias técnicas e exercícios em um único tratamento. Seu foco está na construção de emoções positivas, forças de caráter e um senso de significado na vida.

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