Psicoterapia infantojuvenil: desafios e especificidades

A psicoterapia infantojuvenil tem seus desafios e especificidades uma vez que crianças e adolescentes podem ter maiores dificuldades em prestar atenção, identificar e monitorar suas emoções e seus pensamentos.

Nesse contexto, o uso de técnicas da terapia cognitivo-comportamental tem se mostrado eficaz, reduzindo a intensidade e a frequência dos comportamentos disfuncionais e aumentando os almejados.

Assim como em outras abordagens utilizadas na psicoterapia infantojuvenil, a TCC deve ser fomentada e estimulada no sentido preventivo e de aumentar e valorizar a atenção ao sofrimento psíquico nessas faixas etárias. O objetivo é garantir um desenvolvimento saudável ao longo do ciclo vital.

SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS

A terapia cognitivo-comportamental com crianças e adolescentes não é uma transposição direta das técnicas utilizadas com adultos, o que certamente não tornaria esse campo de intervenção efetivo. Alguns diferenciais são muito importantes, especialmente no que diz respeito à criação de linguagens e à participação dos pais ou outros responsáveis no tratamento dos pacientes.

Existem, no entanto, semelhanças. Nesse sentido, se destacam o foco no presente, o objetivo de mudança comportamental e cognitiva e a utilização de sessões estruturadas.

Todavia a psicoterapia infantojuvenil difere-se no que tange à intervenção, que tem como base a criação de linguagens – muitas vezes não verbais – para acessar o funcionamento cognitivo desses indivíduos.

E além de centrar na ativação e no entendimento das emoções – as quais a garotada tem dificuldade de diferenciar dos pensamentos –, deve trabalhar em termos de pensamentos adaptativos e não adaptativos.

Outro ponto diferencial da TCC no atendimento a crianças e adolescentes é a intervenção com os cuidadores, o que muitas vezes consiste em grande ou até maior parte do tratamento.

COMPREENSÃO

Cada vez mais, crianças e adolescentes chegam aos consultórios buscando auxílio na TCC para problemas emocionais e comportamentais que podem acarretar prejuízos para a sua qualidade de vida e desenvolvimento subsequente.

Nesse sentido, é fundamental que os terapeutas que trabalham com essa abordagem procurem obter uma compreensão global do funcionamento desse público nos seus diversos contextos.

Também é importante que consigam identificar os aspectos ou sintomas que dificultam sua adaptação na rotina diária. Assim como o papel que as questões cognitivas exercem na origem desses problemas e transtornos.

AVALIAÇÃO

Ressalta-se, ainda, o caráter focal e diretivo da terapia cognitivo-comportamental na psicoterapia infantojuvenil, o qual demanda uma avaliação diagnóstica devidamente conduzida.

Consequentemente, a prática da avaliação desses indivíduos necessita que se considere alguns pontos importantes, ou seja, a identificação e a compreensão das queixas da criança ou do adolescente e o processo de conceitualização cognitiva. Normalmente, os porta-vozes das queixas e dos sintomas são os pais ou outros responsáveis.

ANAMNESE

Também é importante uma completa entrevista de anamnese na psicoterapia infantojuvenil, pois é através dela que se obtém uma melhor compreensão de aspectos emocionais e psicossociais e que são planejadas e direcionadas futuras condutas.

A prática clínica demonstra que, no atendimento a crianças e adolescentes, quanto mais completa for a anamnese, melhor será o planejamento e a condução do caso.

Essa etapa da avaliação permite a utilização de escalas e questionários a serem respondidos pelos próprios pacientes, pelos cuidadores, professores ou outros profissionais específicos que tenham contato direto com os pacientes.

CONCEITUALIZAÇÃO

O próximo passo do tratamento consiste na conceitualização cognitiva do caso. Esse processo é fundamental para um perfeito entendimento e planejamento das práticas terapêuticas a serem trabalhadas.

A conceitualização cognitiva na psicoterapia infantojuvenil com a abordagem da TCC denota alguns aspectos diferenciados no que se refere ao mesmo processo para pacientes adultos.

Isso porque devem ser consideradas sempre as características da criança e do adolescente, assim como a etapa do desenvolvimento em que esses pacientes se encontram e o contexto em que estão inseridos.

Como a terapia cognitivo-comportamental tem como foco o papel que os aspectos cognitivos exercem na etiologia das dificuldades e dos transtornos emocionais e comportamentais, é comum a utilização de protocolos específicos no processo de conceitualização cognitiva.

DEMANDAS

De modo geral, esses protocolos procuram abarcar, principalmente, as seguintes demandas: identificação das dificuldades atuais do paciente, fatores importantes da infância, percepção que o indivíduo tem de si e dos outros e percepção que a família tem do indivíduo.

Sempre buscando identificar as principais emoções, os pensamentos e comportamentos relativos ao paciente e seus familiares, assim como as crenças relacionadas, as estratégias compensatórias e as consequências de cada situação. Os protocolos de conceitualização cognitiva desse público devem ser revisados durante todo o processo de atendimento psicoterapêutico. Isso porque a TCC no atendimento a crianças e adolescentes é um processo dinâmico e sofre alterações constantes, até de forma mais rápida que no atendimento a adultos.

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