O que é Estresse de Minoria e qual o papel da Psicologia?

A teoria do Estresse de Minoria defende que as chamadas minorias sociais vivenciam estressores específicos adicionais aos cotidianos e que fatores individuais e do meio podem funcionar como fontes de risco e/ou de proteção à saúde mental dessas pessoas. Nesse sentido, auxilia na compreensão e na prevenção do seu adoecimento psíquico.

Basicamente, Estresse de Minoria evidencia as consequências do conflito – percebido, antecipado e internalizado – que ocorre quando formas de existência diversas não seguem os valores considerados dominantes na sociedade. Ao serem colocados à margem, esses indivíduos podem ter sua saúde mental gravemente afetada a partir de violências direcionadas.

Embora a teoria tenha sido inicialmente pensada a partir das situações vivenciadas por homossexuais nos Estados Unidos, ela hoje abrange os grupos minoritários como um todo, seja a comunidade LGBTI+, os negros, as pessoas com deficiência e outras pessoas que vivenciam recorrentes situações de preconceito, racismo e discriminação.

PROCESSOS

Um dos primeiros estudos desenvolvidos com o objetivo de investigar a relação entre a teoria do Estresse de Minoria e possíveis repercussões para a saúde mental foi feito pelo psicólogo social e epidemiologista psiquiatra norte-americano Ilan Meyer na década de 1990.

Meyer estipulou três processos de Estresse de Minoria: homonegatividade internalizada, estigma percebido e experiências de discriminação e violência. Os efeitos para a saúde mental desses estressores foram testados em 741 homens homossexuais de Nova Iorque.

Os resultados indicaram que cada um dos estressores, considerados de forma independente ou em grupo, foi preditor de estresse. Os participantes que apresentaram níveis elevados de Estresse de Minoria eram de duas a três vezes mais propensos a sofrerem níveis elevados de estresse.

DENOMINAÇÕES ATUAIS

Mudanças em relação às definições dos termos foram feitas ao longo dos anos e atualmente os estressores que recebem destaque são denominados estigma imposto, homonegatividade internalizada e encobrimento da identidade sexual.

O estigma imposto é compreendido como um conjunto de experiências de perseguição, rejeição, agressão, violência ou discriminação motivadas pela orientação sexual. É a expressão explícita do estigma sexual por meio de ações negativas.

Já a homonegatividade internalizada é definida como o processo individual de absorver atitudes sociais negativas e assimilá-las como parte da identidade pessoal. Está associada à vergonha, à evitação e aos comportamentos autodestrutivos.

Por sua vez, o encobrimento da identidade sexual refere-se às tentativas do indivíduo para esconder a sua sexualidade pelo receio de punição e rejeição. A vergonha em relação a uma identidade estigmatizada e o medo de experienciar o estigma social podem contribuir para isso.

CONSENSO

Hoje há um consenso na comunidade médica e psicológica de que as formas de sofrimento associadas à diversidade humana, como maiores índices transtornos mentais e de suicídio, abuso de álcool e outras drogas, assim como práticas sexuais de risco, são efeitos do preconceito, das discriminações e violências sofridas ao longo da vida.

Tais questões indicam que as maneiras para redução de sofrimento estão associadas a ações de suporte psicológico e social, além da proteção às pessoas vítimas de preconceito, discriminação e violência. Tão importantes quanto são as ações de formação de profissionais da saúde e de educadores para criarem ambientes seguros.

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