Relação familiar e sua importância para a saúde plena

Da relação familiar, depende o desenvolvimento físico, psíquico e social do indivíduo. Quando a família é saudável, trata-se de uma fonte de ajuda ativa, organizada e estável, sendo o sistema de autoridade claro e aceitável e a comunicação aberta baseada em equilíbrio e apoio.

Do contrário, quando a relação familiar não é saudável, os padrões de autoridade modificam-se, sendo a comunicação e a distribuição de papéis funcionais deteriorados, o que dificulta a regulação dos sentimentos negativos, levando ao aumento da angústia, da hostilidade e da violência.

Primeiro espaço social

A família é o primeiro espaço social de um indivíduo. Antes mesmo de frequentar uma escola ou conhecer seu papel de cidadã, a criança, por meio da relação familiar, entra em contato com outras pessoas que compõem seu ambiente de crescimento, além de conhecer regras e aspectos da cultura.

É na família que, normalmente, ela aprende a se comunicar, ouvir os demais e interagir com pessoas que compartilham o mesmo espaço afetivo e ali constroem vínculos.

O afeto, favorecido pela convivência, impacta o desenvolvimento de outros fatores, como o intelectual e o emocional, até sua vida adulta.

A relação familiar exerce, portanto, um forte impacto no comportamento do indivíduo já que transmite crenças e valores e influencia sua forma de enxergar e construir as relações sociais e a si mesmo.

Reflexão

Dada a reconhecida importância da família, é importante a reflexão sobre as características que tornam uma relação familiar favorável ao bem-estar e ao desenvolvimento pleno de seus membros.

Em relação à saúde mental, ela é protagonista na promoção de fatores de proteção e redução dos fatores de risco às condições psicológicas de seus membros, sejam crianças, adolescentes ou adultos.

A literatura tem demonstrado que, quando o ambiente doméstico é permeado por regras claras de convivência, distribuição de responsabilidades de cada um e os membros expressam afeto mútuo, pode-se considerar que existe uma teia invisível, porém eficaz para proteger a saúde mental das pessoas nesse contexto.

Portanto é positiva a existência de regras razoáveis na relação familiar. Entender os limites acordados, assim como os motivos e as consequências de cada uma dessas regras, traz aos membros da família uma percepção de organização do ambiente externo que repercute na organização interna das emoções, dos planos e objetivos.

Uma estrutura familiar que prevê distribuição de responsabilidades entre os indivíduos – com graus de complexidade adequados à fase de desenvolvimento – contribui para o senso de pertencimento e identidade de seus membros, proporcionando condições necessárias para o desenvolvimento de autoestima.

A médio prazo, são esperados dessa relação familiar indivíduos com comportamentos pró-sociais, ou seja, que agregam qualidade à vida em sociedade em vez de comprometê-la negativamente.

Comportamentos antissociais

O contrário também é verdadeiro, pois indivíduos que experimentam ambientes privados de normas e regras tendem a desenvolver comportamentos antissociais que prejudicam a vida em sociedade e podem chegar a ser delitivos.

Num ambiente no qual os membros da família se veem esvaziados de funções coletivas, a percepção quanto à sua própria capacidade pode ficar reduzida e impactar seu desempenho escolar ou profissional.

Expressão de afeto

Outro ponto considerado promotor de saúde na relação familiar é a expressão de afeto. Quando a família cultiva hábitos de demonstrar carinho, amor, atenção e cuidado, seus componentes têm maiores chances de apresentar comportamentos considerados exitosos.

Entre esses comportamentos exitosos, estão uma boa frequência e um bom rendimento escolar na infância e na adolescência, engajamento profissional, capacidade de iniciar e manter relacionamentos funcionais na vida adulta.

Suporte às transições

Para adultos, a função da família já não é de formação da sua identidade, mas de suporte às transições vivenciadas ao longo da vida.

Para enfrentar crises naturais, como primeiro emprego e faculdade, têm mais probabilidade de colher bons resultados os sujeitos capazes de identificarem na família um ponto de apoio, tanto para o seu sucesso, quanto para as dificuldades.

Habilidades sociais

Importante destacar, ainda, que a relação familiar saudável nem sempre acontece de forma natural e automática. Em grande parte das vezes, é preciso que os membros da família se desenvolvam no que se refere às habilidades sociais no contexto familiar a fim de construir um ambiente propício ao bem-estar de todos.

Nesse contexto, é necessário capacitar os pais e demais familiares para que tenham atitudes progressivamente mais próximas ao ideal a fim de que haja o fortalecimento da autoestima, assertividade, senso de pertencimento, autoconfiança, suporte, empatia, comunicação e expressão das emoções em suas famílias.

Uma ferramenta que pode ajudar nesse sentido é ‘Relação Familiar – Cards para pensar e conversar sobre a nossa família’, de autoria dos psicólogos Bruno Luiz Avelino Cardoso e Isabela Pizzarro Rebessi e publicada pela editora RIC Jogos.

Por meio de perguntas reflexivas que facilitam o autoconhecimento e o conhecimento sobre situações específicas da relação familiar, os 100 cards podem ser utilizados tanto em contexto familiar, no cotidiano, quanto terapêutico – com crianças (a partir dos sete anos), adolescentes e adultos.

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