Relação familiar: qual o papel da psicologia?

Uma boa relação familiar pode ser um fator protetivo contra problemas emocionais e físicos. No entanto sabe-se que, em alguns momentos, conviver não é tão fácil como poderia ser. Nesse contexto, o papel da psicologia é importante.

Muitos desafios podem surgir nas relações familiares, fazendo os membros, em casos mais graves, dissolverem os vínculos ou terem problemas gerais na interação familiar.

Os motivos para conflitos podem ser diversos e, na intervenção psicoterapêutica com cada família, alguns elementos precisam ser levados em consideração.

Inicialmente, é fundamental conhecer a história dessa família. Esse histórico contribui para a explicação de como alguns padrões de pensamentos e comportamentos foram repassados e/ou aprendidos.

Por exemplo, uma mãe pode trazer aspectos da sua criação em sua família de origem para a sua família atual. Dessa forma, é possível compreender que há, pelo menos, duas histórias a serem consideradas em um processo de intervenção familiar: a história individual de cada membro e a história da família enquanto sistema.

Esses detalhes permitem identificar os esquemas familiares que são transmitidos de geração a geração e que impactam diretamente na dinâmica da família.

Processos cognitivos

Os processos cognitivos, aprendidos ao longo do desenvolvimento do indivíduo, influenciam na atualidade da relação familiar. No entanto eles podem ser tão inconscientes que os membros da família talvez não identifiquem como os seus próprios modos de pensar influenciam os comportamentos adotados no relacionamento.

Para isso, estratégias que favoreçam o autoconhecimento podem auxiliar na identificação desses elementos de história de vida que se relacionam com as formas de pensar e comportar da família.

Nesse processo de descoberta histórica, a descrição das memórias afetivas e divertidas da família também pode ser acessada. Facilitar a expressão emocional na família é um aspecto relevante na terapia familiar.

Por meio da atribuição de características a cada um dos membros, é possível que os integrantes da família possam expressar como se sentem mediante cada pessoa, possibilitando ao terapeuta observar melhor como se dão as relações ali estabelecidas.

Esses momentos, além de proporcionar conexão dos membros familiares, facilitam o alcance dos objetivos em processos terapêuticos, por meio da aprendizagem de habilidades como expressividade emocional e outras.

Ferramenta

O desempenho dessas e de outras habilidades fundamentais é incentivado no ‘Relação Familiar – Cards para pensar e conversar sobre a nossa família’, de autoria dos psicólogos Bruno Luiz Avelino Cardoso e Isabela Pizzarro Rebessi e publicado pela editora RIC Jogos.

Por meio de perguntas reflexivas que facilitam o autoconhecimento e o conhecimento sobre situações específicas da relação familiar, a ferramenta pode ser utilizada tanto em contexto familiar, no cotidiano, quanto terapêutico – com crianças (a partir dos sete anos), adolescentes e adultos.

É importante destacar que há uma diversidade familiar e que cada família tem seu modo de funcionamento. Sendo assim, compreender essas especificidades é fundamental, tanto para uma intervenção terapêutica contextual, quanto para o conhecimento da família sobre suas próprias características.

Temáticas

Por isso, os 100 cards disponibilizados abordam temáticas importantes na relação familiar, tais como momentos do histórico da família; crenças de seus membros acerca de assuntos importantes, como valores, espiritualidade e união; identificação de possíveis características de cada um; e estratégias utilizadas pela família no enfrentamento de situações desafiadoras.

As cartas abordam, ainda, questões que relembram as vivências familiares relacionadas a emoções agradáveis; desafios e questões para reflexão sobre possíveis soluções para os problemas encontrados.

Incluem, também, avaliação sobre pontos fortes dos membros da família; sexualidade e temáticas relacionadas; planos conjuntos em diversas esferas, como viagens e a chegada de novos membros; e solicitação de conselhos dados e oferecidos pelos membros da família em diferentes situações.

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