Terapia Cognitivo-Comportamental e as distorções cognitivas

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) explica e intervém nos transtornos mentais à luz do modelo cognitivo. Isso porque considera que os sintomas emocionais, fisiológicos e comportamentais prejudiciais são resultados da forma como as pessoas interpretam as situações, ou seja, de suas distorções cognitivas.

Para a TCC, as distorções cognitivas consistem em erros sistemáticos apresentados nos pensamentos. Elas levam a desvirtuamentos contínuos na forma como o indivíduo interpreta o seu desempenho e as situações que vivencia, o que lhes confere papel importante na origem e na manutenção dos transtornos mentais.

DISFUNÇÕES

Conforme a Terapia Cognitivo-Comportamental, entre as principais distorções cognitivas encontradas nos quadros psicopatológicos, está a catastrofização, ou seja, pensar que o pior de uma situação deve acontecer, ignorando outros possíveis desfechos.

O pensamento dicotômico ou polarização é outra crença disfuncional. Trata-se do pensamento do tudo ou nada, em que as situações só podem ser de duas categorias: boa ou ruim. Já a abstração seletiva, também chamada de filtro negativo, ocorre quando a pessoa só pensa nos aspectos negativos de uma situação.

Na supergeneralização, o indivíduo tira uma conclusão negativa extrema que vai muito além da situação. E na maximização e minimização, a pessoa irracionalmente magnifica o lado negativo e/ou minimiza o lado positivo.

Esses são apenas alguns exemplos de padrões negativos e enrijecidos da cognição frequentes em quadros psicopatológicos. Há muitas outras distorções cognitivas baseadas em crenças disfuncionais, e um psicólogo especializado em Terapia Cognitivo-Comportamental pode ajudar a identificá-las e corrigi-las.

TRATAMENTO

O trabalho clínico conjunto entre terapeuta e paciente sobre o modo como este identifica, avalia e responde aos pensamentos disfuncionais é tido como fundamental para melhora no quadro apresentado.

O tratamento dos transtornos mentais na Terapia Cognitivo-Comportamental envolve um plano de ação individualizado e colaborativo em que as demandas e os objetivos trazidos pelo paciente são considerados para a elaboração das intervenções.

A TCC, portanto, engloba avaliação cognitiva e comportamental, estabelecimento de objetivos e metas, familiarização ao modelo cognitivo, formulação cognitiva do caso; intervenções cognitivas e comportamentais, prevenção de recaída e término do tratamento.

MODIFICAÇÃO

Como a Terapia Cognitivo-Comportamental enfatiza o papel que as disfunções cognitivas desempenham na origem e na manutenção dos transtornos mentais, tal abordagem envolve a modificação desses pensamentos disfuncionais que favorecem a presença dos sintomas prejudiciais.

Para isso, é feito um levantamento dos aspectos relacionados à história de vida do paciente, sintomas apresentados, bem como das formas como ele interpreta e lida com as situações.

Tais informações ajudam o terapeuta a identificar os temas e as distorções cognitivas mais recorrentes. Essa fase de avaliação é fundamental para o estabelecimento dos objetivos e das metas da terapia.

PSICOEDUCAÇÃO

A Terapia Cognitivo-Comportamental tem, ainda, uma proposta de familiarização do paciente com o modelo cognitivo. Dessa forma, no decorrer dos atendimentos, o indivíduo é chamado a entender os princípios básicos da abordagem, como funciona o tratamento e quais as intervenções utilizadas.

O objetivo dessa psicoeducação é dar condições ao indivíduo de utilizar tais informações e instrumentos ao longo dos atendimentos e caso volte a apresentar problemas similares no futuro.

CONCEITUALIZAÇÃO

Os dados colhidos na avaliação em conjunto com as observações e os objetivos trazidos pelo paciente possibilitam ao terapeuta realizar a chamada conceitualização cognitiva.

Essa etapa envolve entender os problemas apresentados pelo indivíduo por meio do modelo cognitivo e possibilita que as intervenções sejam pensadas com base nas características apresentadas em cada caso. Além disso, é continuamente revisitada para incorporar novos dados que possam surgir.

As intervenções feitas visam colocar à prova os pensamentos e as crenças disfuncionais. Juntos, terapeuta e paciente desenvolvem tarefas dentro e fora das sessões para testar a veracidade das interpretações que o indivíduo faz da realidade.

Além dos pensamentos, o manejo dos sintomas comportamentais, fisiológicos e emocionais é considerado.

TÉRMINO

Por fim, são trabalhados os principais problemas que podem aparecer no futuro e trazer dificuldades, bem como a identificação dos sinais para possíveis recaídas.

O término do tratamento na Terapia Cognitivo-Comportamental também é colaborativo, pois ocorre quando as queixas apresentadas são resolvidas e é observada melhora no quadro.

Caso necessárias, sessões de manutenção podem ser solicitadas, ocorrendo de maneira mais espaçadas. Sendo assim, o fim do tratamento é pensado de modo que se possa garantir a continuidade dos resultados alcançados.

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