Como tratar o Transtorno de Estresse Pós-Traumático?

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático é crônico e pode durar a vida toda. Seu tratamento consiste em reduzir os sintomas, melhorar as habilidades sociais do paciente na família, entre amigos e no trabalho e criar um ambiente favorável para a manutenção das atividades cotidianas. Inclui, ainda, tratar possíveis depressão, vícios e outros distúrbios.

O tratamento do TEPT costuma ser multidisciplinar. Além do uso de medicamentos que impedem que o corpo tenha uma reação exagerada, como os ataques de pânico, o paciente requer acompanhamento psicológico para lidar com o trauma de forma mais precisa.

Vários tipos de psicoterapias têm sido usados com sucesso no tratamento do Transtorno de Estresse Pós-Traumático geralmente acompanhados de farmacoterapia.

As abordagens psicoterápicas individuais recomendadas pelas principais diretrizes para o atendimento a pacientes com TEPT são: Terapia Cognitivo-Comportamental Focada no Trauma, Terapia de Exposição, Terapia Cognitiva, Treinamento de Inoculação do Estresse, Terapia do Processamento Cognitivo, Dessensibilização e Reprocessamento do Movimento Ocular (DRMO), Psicoterapia Interpessoal e Psicoterapia Psicodinâmica.

EXPOSIÇÃO

Uma das principais formas de psicoterapia utilizadas é a de exposição às situações que a pessoa evita porque pode precipitar recordações do trauma. A exposição fantasiosa repetida à própria experiência traumática geralmente diminui a angústia depois de um aumento inicial no desconforto.

DRMO também é uma forma de terapia de exposição utilizada no tratamento do Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Nesse caso, os pacientes são convidados a seguirem o dedo em movimento do terapeuta enquanto imaginam serem expostos ao trauma.

MEDICAMENTOS

Entre os medicamentos geralmente prescritos para TEPT, os Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina (ISRS) podem reduzir a ansiedade e/ou a depressão. Por sua vez, prazosina tem se mostrado útil para reduzir pesadelos.

Já os estabilizadores de humor e antipsicóticos atípicos são às vezes prescritos, mas há poucos dados que suportam sua utilização.

SUPORTE

Como a ansiedade é muitas vezes intensa em indivíduos com Transtorno de Estresse Pós-Traumático, a psicoterapia de suporte desempenha um papel importante.

Os terapeutas devem ser francamente empáticos e compreensivos, admitindo e reconhecendo o sofrimento psíquico dos pacientes e a realidade dos eventos traumáticos.

No início do tratamento, muitos pacientes com TEPT precisam aprender como relaxar e controlar a ansiedade, por meio da atenção plena, de exercícios respiratórios e/ou ioga, antes que consigam enfrentar a exposição.

Em relação à culpa que o indivíduo muitas vezes sente, a psicoterapia direcionada pode ser útil para ajudá-lo a entender e modificar suas atitudes punitivas e de autocrítica.

Pessoas com Transtorno de Estresse Pós-Traumático também devem ser motivadas a praticarem atividades físicas e de ressocialização que possam fazê-las se sentirem seguras novamente em sociedade.

Importante destacar que cabe ao profissional médico definir o diagnóstico de TEPT, de acordo com os sintomas e a recorrência dos episódios, bem como prescrever a psicoterapia e a referência medicamentosa.

CARACTERÍSTICAS

Evidências guiam a decisão clínica, mas nem sempre asseguram um desfecho positivo. É muito comum em respostas parciais o abandono do tratamento. Por isso, também é essencial uma indicação adequada de psicoterapia, levando em consideração as características de cada paciente.

Em linhas gerais, o paciente com Transtorno de Estresse Pós-Traumático agudo tem benefícios com técnicas cognitivas e de exposição. Se ele preferir que sua exposição seja por meio da linguagem escrita, pode se beneficiar da Terapia do Processamento Cognitivo.

Já a DRMO é uma alternativa para casos em que os indivíduos não tolerem enfrentar as exposições ao vivo ou se for a escolha inicial desses pacientes.

O TEPT crônico pode ser manejado, de acordo com sua gravidade, com o Treinamento de Inoculação do Estresse, que se mostra adequado no enfrentamento de traumas como a violência urbana. Técnicas de TCC Focada no Trauma também se mostram eficazes.

Mesmo com a indicação do uso de Terapia de Exposição e da Terapia Cognitiva, o TEPT complexo e o subtipo dissociativo parecem exigir técnicas mais abrangentes.

Nesses casos, é necessário o uso de terapias que abordem estratégias de regulação do afeto, ressimbolização da memória do trauma, manejo da ansiedade e do estresse e habilidades interpessoais. Essas estão incluídas nas técnicas de Terapia Interpessoal e na Psicoterapia Psicodinâmica.

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