Terapia do esquema: intervenções com crianças e adolescentes

Na terapia do esquema com crianças e adolescentes, é destacada a importância da investigação dos estilos parentais e das experiências familiares dos pais ou outros responsáveis que são perpetuadas de geração em geração.

Isso porque as necessidades básicas não atendidas em função da falta de experiências adequadas para o desenvolvimento infantil ou o excesso de comportamentos paternos ligados à superproteção aumentam a possibilidade de desenvolvimento dos esquemas iniciais desadaptativos (EIDs).

A escola alemã de terapia do esquema com crianças e adolescentes é um modelo abrangente e promissor. Alguns aspectos evidenciam isso, como, por exemplo, a exigência de um horizonte diagnóstico mais amplo no qual a conceituação de caso, embora não deixe de ser um panorama do paciente, se estende para uma visão familiar e geracional.

Esse modelo leva naturalmente a uma orientação diferente de pais ou outros responsáveis a qual, para além do problema-queixa apresentado, envolve discutir padrões de comportamentos paternos que têm origem nos próprios EIDs, abrangendo, assim, aspectos da infância dos pais.

Modos

A terapia do esquema com crianças e adolescentes concentra suas intervenções na noção de modos, o que favorece uma compreensão maior para o paciente, pois se baseia fundamentalmente em uma ideia simples e de fácil compreensão: ele precisa identificar e modificar os gatilhos emocionais que ativam comportamentos desadaptados, substituindo esses modos por modos inteligentes.

Com base em princípios da escola alemã, um programa de intervenção em estágios para o público infantojuvenil pode ser desenvolvido segundo seis etapas: criação de um vínculo estável terapeuta-paciente; construção da motivação para a mudança; psicoeducação sobre esquemas e modos; diagnóstico do esquema e do modo; escolha, planejamento e condução de métodos para mudança; e consolidação do sucesso.

Recursos lúdicos

Os recursos lúdicos são muito importantes na terapia do esquema com crianças e adolescentes.

O ‘Baralho infantil de esquemas: investigando pensamentos’, de autoria das psicólogas Érica de Lana e Priscila Anush Balekjian, foi desenvolvido para atender à perspectiva desenvolvimental dos esquemas cognitivos, tendo como objetivo ser um instrumento de apoio clínico de rastreio e não uma ferramenta diagnóstica em si.

Direcionado a profissionais da saúde mental para utilização com pacientes na faixa etária de 6 a 15 anos, possibilita uma avaliação lúdica adaptada às necessidades da população infantojuvenil e teoricamente fundamentada.

Trata-se de um produto fruto de um intenso trabalho de pesquisa e desenvolvimento teórico e clínico na área de TE.

Por um lado, foi motivado pela relevância de se identificarem esquemas cognitivos precocemente, enquanto ainda estão em desenvolvimento.

Por outro, foi motivado pela reconhecida escassez de instrumentos com esse fim que sejam realmente adaptados às necessidades dos profissionais e às peculiaridades dos pacientes infantojuvenis.

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