Transtornos de Ansiedade: benefícios das técnicas de manejo

A base dos Transtornos de Ansiedade são as crenças e os pensamentos disfuncionais conforme a Terapia Cognitivo-Comportamental. Logo, as técnicas de manejo utilizadas por essa abordagem da Psicologia possibilitam trabalhar os sintomas emocionais, fisiológicos e comportamentais decorrentes por meio da reestruturação da cognição.

Ao passar por essas técnicas de manejo, o paciente compreende a relação entre as distorções cognitivas e suas reações emocionais, fisiológicas e comportamentais. Também consegue identificar as crenças distorcidas que sustentam seu sofrimento e passa a questioná-las, fazendo com que cedam espaço para pensamentos saudáveis e, consequentemente, emoções e comportamentos equilibrados.

PSICOEDUCAÇÃO

Entre as principais técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental utilizadas com indivíduos que têm Transtornos de Ansiedade, está a psicoeducação. Consiste na explicação ao paciente de questões importantes sobre o distúrbio em si e sobre todos os passos do tratamento psicológico. Ela é essencial para que o indivíduo se comprometa ativamente no processo.

O registro de pensamentos disfuncionais (RPD) é outra técnica comum da TCC. Nesse caso, o terapeuta pede que o paciente registre os pensamentos desagradáveis que surgem em determinadas situações.

O RPD tem diversas utilidades na clínica. A primeira delas é para que o indivíduo se dê conta do que pensa e sente quando enfrenta uma adversidade, já que, em muitos casos, reage de forma automática e não consegue entender a situação.

Tal registro também é utilizado pelo terapeuta para encaminhar as sessões e utilizar outras técnicas que auxiliem no processo de modificação dos padrões negativos.

QUESTIONAMENTO

O questionamento socrático é mais uma técnica da Terapia Cognitivo-Comportamental utilizada no tratamento dos Transtornos de Ansiedade. Na prática, o terapeuta faz uma série de perguntas com o objetivo de ajudar o paciente a aprofundar sua compreensão sobre os próprios pensamentos. Assim, é possível perceber e modificar distorções cognitivas.

E a técnica da parada do pensamento e autoinstrução tem como objetivo auxiliar o paciente ansioso a controlar os próprios pensamentos e ações. Nesse caso, ele é orientado a identificar ideias que lhe fazem mal e dar um comando de “pare” sempre que elas surgirem. Sendo assim, a pessoa aumenta a consciência sobre o que pensa e exercita seu poder de interromper e modificar os pensamentos disfuncionais.

RELAXAMENTO

A TCC também utiliza técnicas de relaxamento no tratamento dos Transtornos de Ansiedade. Isso porque o paciente ansioso ou com crise de pânico vive situações de medo extremo e sofre de sintomas físicos, como falta de ar, taquicardia, tremores no corpo e agitação psicomotora.

Tais recursos, portanto, servem como aprendizado para que a pessoa conquiste o autocontrole em períodos críticos. O paciente aprende a respirar pausadamente, seguindo determinados ritmos, para aumentar a oxigenação do corpo e regularizar as sensações.

Já as técnicas de relaxamento muscular são úteis para potencializar a percepção de si durante a crise, aumentar a concentração e gerar sentimento de bem-estar, diminuindo a tensão.

EXPOSIÇÃO

Por sua vez, as técnicas de exposição são eficientes para intervir diretamente em problemas específicos, como medos excessivos e traumas que limitam a vida do paciente. Ao mesmo tempo que elas transportam a pessoa para o que lhe causa ansiedade, ensinam modos de controlar as emoções negativas e lidar com a situação de outra forma.

A dessensibilização sistemática é um tipo de técnica de exposição muito utilizada no tratamento de fobias e síndrome do pânico. Consiste em expor a pessoa aos elementos que lhe causam medo de maneira gradual, segura e guiada pelo terapeuta. Ao fazer isso na terapia, o paciente tem a possibilidade de substituir os sentimentos de tensão por relaxamento.

Nesse caso, a exposição não é física. Em geral, o terapeuta conduz a pessoa na sua imaginação. Enquanto pensa na fonte de ansiedade, ela coloca em prática técnicas de relaxamento. Quando já estiver mais segura, pode repetir esse exercício em sua rotina fora da clínica.

HABILIDADES SOCIAIS

Em casos de Fobia Social, as técnicas de habilidades sociais são importantes para pacientes que têm dificuldade de desenvolver aspectos como empatia e capacidade de comunicação.

Muitas pessoas têm dificuldade para expressar suas emoções de forma eficiente. Algumas inclusive choram ao primeiro sinal de uma conversa mais tensa, por exemplo. Assim, tais técnicas possibilitam maior segurança ao falar em público e para iniciar e concluir diálogos particulares ou íntimos.

Por sua vez, as técnicas de enfretamento do estresse da TCC auxiliam o paciente no sentido de entender os elementos geradores de estresse, identificar os sentimentos envolvidos e encontrar alternativas de enfrentamento. Podem ser desenvolvidas estratégias voltadas ao problema, como modificar o evento estressor, realizar atividade física ou aumentar as horas de descanso para diminuir a tensão. Também existem aprendizagens voltadas às emoções, com objetivo de controlar as respostas negativas às situações externas que não podem ser modificadas.

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