Transtornos de Aprendizagem: intervenções psicopedagógicas

As intervenções psicopedagógicas são fundamentais para a identificação e o tratamento adequado dos Transtornos de Aprendizagem, como dislexia, discalculia e disortografia, e outras condições que interferem na funcionalidade do indivíduo, como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

A Psicopedagogia é um campo de atuação multidisciplinar que une educação e saúde e estuda a relação dos indivíduos com a aprendizagem, buscando reduzir as dificuldades com o aprender e tratar os Transtornos de Aprendizagem.

Para isso, considera o sujeito, a família, a escola, a sociedade e o contexto sócio-histórico e utiliza procedimentos próprios, fundamentados em diferentes referenciais teóricos, voltados à resolução de problemas.

O psicopedagogo pode atuar tanto no atendimento clínico quanto no contexto institucional, como em escolas e empresas. Na perspectiva clínica, o atendimento é voltado à terapia e visa a recuperação.

No campo institucional, as intervenções psicopedagógicas têm enfoque preventivo, mas também visam a superação das dificuldades por meio da busca de métodos de ensino adequados para o aproveitamento das aulas por alunos que tenham dificuldades ou Transtornos de Aprendizagem.

ESCOLA

Embora adolescentes e adultos também sofram com Transtornos de Aprendizagem, as crianças costumam ser os principais pacientes dos psicopedagogos. Isso porque nessa faixa etária certas funções cognitivas começam a se desenvolver, como memória, associação, raciocínio lógico, atenção, percepção e linguagem.

Tais competências são estimuladas a todo instante na escola. Desse modo, é mais fácil perceber dificuldades e/ou distúrbios. Quando a criança não consegue acompanhar o ritmo dos colegas em sala de aula, fica evidente que algo está interferindo no aprendizado.

Os Transtornos de Aprendizagem afetam o desempenho escolar das seguintes formas: atrasam o desenvolvimento de habilidades básicas, como leitura e escrita; dificultam a realização de cálculos matemáticos; aumentam a ansiedade e a frustração dos alunos; reduzem o interesse pelo estudo; tornam a concentração em sala de aula difícil; atrapalham a socialização; abalam a autoestima; e estimulam estados de humor negativos, como raiva e tristeza, e comportamentos inadequados.

O psicopedagogo que atua em uma instituição de ensino identifica essas situações, pois tem acesso privilegiado ao estudante para fazer observações e análises durante as aulas. Com essa coleta de informações, também constata aspectos positivos, capacidades e potencialidade do indivíduo.

Assim é capaz de definir orientações didáticas e metodológicas para auxiliar no tratamento das dificuldades e/ou Transtornos de Aprendizagem.

Quando necessário, aconselha uma investigação mais profunda do quadro. Isso porque o tratamento focaliza a conduta educacional, mas pode envolver terapia médica, comportamental e psicológica.

Importante destacar que o trabalho psicopedagógico institucional é feito em conjunto com toda comunidade escolar, ou seja, professores, gestores, alunos e familiares.

AÇÕES

As intervenções psicopedagógicas para dificuldades e Transtornos de Aprendizagem na escola normalmente englobam implantação de atividades lúdicas no planejamento escolar e auxílio a educadores para lidar com alunos com dificuldades expressivas no processo de aquisição de conhecimento.

Envolvem, ainda, a promoção de encontros entre o corpo docente para que sejam discutidas atividades, ferramentas e métodos psicopedagógicos; colaboração para planejamento de projetos escolares; e conversa com os pais ou outros responsáveis sobre os problemas de aprendizagem dos filhos.

A contribuição do psicopedagogo no contexto escolar também se encontra na suavização e no aprimoramento de processos metodológicos. Dessa forma, o profissional atua tanto na prevenção quanto no tratamento de interferências na aprendizagem.

ATENDIMENTO CLÍNICO

Quando a escola não conta com um psicopedagogo institucional, a identificação de dificuldades e/ou Transtornos de Aprendizagem, especialmente os que podem ser confundidos com comportamentos, tende a ser mais demorada.

É quando entra em cena o psicopedagogo clínico, que geralmente recebe em seu consultório pacientes com sintomas graves. Tal profissional também é procurado por adolescentes e adultos das mais diferentes faixas etárias que não tiveram o diagnóstico na infância.

A tarefa do psicopedagogo clínico é a mesma do institucional, ou seja, melhorar o relacionamento de pacientes com o aprender. Isso ocorre por meio da aplicação de testes, jogos e brincadeiras e do compartilhamento de informações por parte do indivíduo e familiares.

Outra forma de melhorar a relação dos pacientes com o aprendizado é por meio do desenvolvimento de um planejamento de estudos com base em suas necessidades específicas.

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